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“Combate ao crime em AL requer ajuda federal”

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LUIZA BARREIROS O chefe da Ouvidoria da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, o alagoano Pedro Montenegro, cobrou do governo do Estado o funcionamento regular do Gabinete de Gestão Integrada (GGI), como forma de unir as polícias ? inclusive a Polícia Federal ? em ações de investigação e combate ao crime organizado em Alagoas. O GGI ? previsto no Plano Nacional de Segurança Pública ? foi instalado em Alagoas há quase um ano, sob coordenação da Secretaria de Defesa Social. Apesar disso, atualmente não há nenhum grande trabalho de combate ao crime organizado desenvolvido com a participação conjunta das polícias Civil, Militar e Federal no Estado. Para Montenegro, o trabalho de combate ao crime organizado no Estado foi interrompido com a prisão do ex-tenente-coronel PM Manoel Francisco Cavalcante, acusado de ser o líder da chamada ?Gangue Fardada?. A prisão ocorreu em 16 de janeiro de 1998, durante o governo Manoel Gomes de Barros, no apartamento de luxo onde o oficial morava com a família, na Ponta Verde. Citando o exemplo da guerra existente dentro da Polícia Civil ? na qual foram mortos, até agora, sete policiais de dois grupos oponentes ? , Pedro Montenegro disse considerar ?muito difícil? que a própria Polícia Civil faça essa limpeza. Para ele, não seria nenhum desprestígio para o governo do Estado aceitar ajuda do governo federal ? através da Polícia Federal ? nas investigações e operações. ?A ajuda da Polícia Federal não deve ser entendida como intervenção, mas sim como uma colaboração no combate ao crime organizado?, argumenta. Espírito Santo Ele lembra que no caso de estados como o Espírito Santo ? onde o crime organizado tinha tentáculos no Executivo, Judiciário, Legislativo, chegando até ao Ministério Público Estadual e ao Tribunal de Contas ?, o governador Paulo Hartung (sem partido) aceitou colaboração da Polícia Federal e até do Exército para o combate ao crime e acabou tendo um resultado positivo, com várias prisões, inclusive do presidente da Assembléia Legislativa, deputado José Carlos Gratz. Outro Estado onde houve participação efetiva do governo federal no combate ao crime foi o Acre. ?Em Alagoas seria fundamental o aporte da Polícia Federal. E isso não deveria fazer com que as polícias locais se sentissem diminuídas ou desprestigiadas?, afirmou. Por fora O secretário de Defesa Social, delegado Robervaldo Davino, reagiu com indignação às declarações de Pedro Montenegro sobre a atuação das polícias no combate ao crime organizado no Estado. ?O Pedro Montenegro foi para Brasília e não está por dentro das coisas em Alagoas?, disse. Segundo ele, as ações de combate ao crime organizado estão sendo desenvolvidas e várias pessoas foram presas depois do início do governo Ronaldo Lessa (PSB). ?Só nos últimos dois anos, mais de 20 policiais civis e de 50 policiais militares foram presos por envolvimento em crimes?, afirmou. Ele disse ainda que o Gabinete de Gestão Integrada está funcionando efetivamente. Apesar disso, a assessoria do comandante da Polícia Militar, coronel Edmilson Cavalcante, não soube informar de que forma a PM estaria integrada ao trabalho. Já o superintendente da Polícia Federal em Alagoas, Rogério Cota, disse já ter participado de duas reuniões do GGI. ?Há uma interação muito grande entre a Polícia Federal e a Secretaria de Defesa Social em Alagoas. Nós estamos constantemente articulados, fazendo trabalhos na área de inteligência e subsidiando um ao outro de informações de crimes de sua competência. O Gabinete de Gestão Integrada apenas formaliza essa integração?, afirmou. Apesar disso, Cota informou à GAZETA que atualmente ?não há nenhum trabalho grande em andamento? para o combate ao crime organizado. ?O importante é que sejam trocadas estratégias. O GGI não é uma delegacia?, disse.

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