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Detento diz que cela � “quartel” de Cavalcante

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EDNELSON FEITOSA Na semana passada, a GAZETA teve acesso a um depoimento que pode confirmar a tese de que o ex-tenente-coronel Manoel Cavalcante continua comandando crimes de dentro do presídio Baldomero Cavalcanti. A denúncia partiu do detento Eraldo Firmino de Oliveira Júnior, vizinho de cela do ex-militar no presídio, que falou à GAZETA por telefone. Segundo Eraldo Júnior, a ala especial do presídio se tornou uma espécie de quartel-general do ex-militar, onde presos são intimados a seguir ordens do ex-tenente-coronel e a participar de reuniões para o planejamento de crimes. Em seu depoimento, o detento disse que chegou a presenciar cenas de comemoração no presídio na véspera do assassinato, no dia 1o de dezembro, do escrivão da Polícia Civil José Carlos Ferreira, o Ferreirinha, considerado ?arquivo? ? hoje morto ? das ações da ?gangue fardada? na região de União dos Palmares. Ferreirinha era cabo da PM antes de ingressar na Polícia Civil, em 1992. O detento narrou que na véspera de qualquer crime de repercussão no Estado, o clima fica tenso na ala especial do Baldomero Cavalcanti. Segundo Eraldo Firmino, ?é um zunzunzum danado?, como se Manoel Cavalcante, mesmo preso, tivesse o controle de setores do crime organizado. Eraldo Firmino Júnior declarou ter ouvido Cavalcante confessar a autoria de diversos crimes aos companheiros de prisão, como o assassinato de três assaltantes, em 1996, executados após o roubo de um veículo que levava o dinheiro do pagamento da Prefeitura de Passo do Camaragibe. Os bandidos, entre eles um policial militar, foram mortos com tiros disparados à queima-roupa. O veículo foi recuperado, mas o dinheiro da prefeitura jamais apareceu. O ex-tenente-coronel teria confessado, também no presídio, sua participação na morte do tributarista Sílvio Vianna, ocorrido em 28 de outubro de 1996. Vinganças Ainda segundo o relato de Eraldo Júnior, o ex-tenente-coronel e seu irmão, o ex-major Adelmo Cavalcante, teriam jurado que iriam se vingar de várias autoridades de Alagoas. O primeiro alvo da fúria do ex-militar e de seu irmão seria o juiz de Direito Hélder Loureiro, responsável pela condenação dos irmãos Cavalcante no processo da ?gangue fardada?. Outro magistrado que estaria marcado pelos irmãos Cavalcante, segundo Eraldo Junior, seria o juiz Marcelo Tadeu, que também atuou no desmantelamento da ?gangue fardada?. O detento conta, também, que algumas pessoas, com medo de morrer, chegam a se submeter à vontade de Cavalcante até mesmo fora do Baldomero Cavalcanti. ?Há um senhor que mora na Pajuçara que deu uma casa ao Cavalcante e passou a morar de aluguel. Vive com medo dele, medo de ser assassinado?, disse o detento. Segundo Eraldo, até o vice-prefeito Alberto Sextafeira (PSB) estaria na mira de Cavalcante, depois de ele ter envolvido o nome do ex-militar de forma negativa na campanha eleitoral de outubro. Outra prova da hegemonia do Cavalcante no presídio seria o pedido de transferência do prefeito de Satuba, Adalberon de Moraes ? preso sob acusação de ser mandante de dois homicídios. Após se desentender com o ex-militar, o prefeito teve que partir para o presídio Cirydião Durval, onde aguarda julgamento dos processos que tramitam na Comarca de Satuba. O motivo da transferência seria o fato de Adalberon não ter se sujeitado às ordens do ex-militar. O detento diz que pretende conseguir um encontro com o secretário de Defesa Social, Robervaldo Davino, ou com representantes do Ministério Público do Estado, no sentido de revelar tudo que sabe, em detalhes, para acabar de vez com o ?império do coronel Cavalcante no presídio?. Leia mais sobre o caso na página E4 e E5

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