Cidades
Cavalcante comanda crimes dentro de pres�dio
GILVAN FERREIRA No dia 16 de janeiro de 1998, cerca de 50 policiais civis, militares e federais trabalharam juntos na prisão do então tenente-coronel Manoel Francisco Cavalcante, o líder da ?gangue fardada? ? quadrilha formada por policiais militares envolvidos em roubo de carros para desmanche, assaltos e crimes de pistolagem. Após a prisão do militar, em seu apartamento de luxo, na Ponta Verde ? e sua condenação, este ano, a 19 anos e 10 meses de prisão, pela autoria intelectual da morte do tributarista Sílvio Vianna ? houve quem comemorasse o desmantelamento do comando do crime organizado em Alagoas. Durante a última semana, contudo, a investigação de promotores do Ministério Público Estadual e o depoimento de um detento vizinho de cela do ex-militar (leia nas páginas E2 e E4), revelaram que Cavalcante, mesmo preso, continua comandando esquemas criminosos no Estado. A investigação e o depoimento indicam que o ex-militar estaria sendo financiado por ex-aliados e pessoas a quem ?prestou favores? ? uma rede que seria integrada por políticos, empresários e policiais civis e militares, inclusive de outros estados. Ordem da cadeia A mais forte evidência de que Cavalcante comanda o crime organizado de sua cela surgiu da investigação dos promotores Alfredo Gaspar de Mendonça Neto e Marcus Mousinho, respectivamente da 2ª e 3ª Varas Especiais Criminais. Eles concluíram que o assassinato de Ebson Vasconcelos, o Eto, denunciado no primeiro inquérito sobre a morte de Vianna ? e depois impronunciado, ou seja, inocentado pela Justiça ? teria sido ?decidido? dentro do presídio Baldomero Cavalcanti, onde o ex-tenente-coronel ainda é temido e respeitado por diretores, funcionários e detentos. Segundo os promotores, Cavalcante deu a ordem para a morte de Eto ao delegado do 4º Distrito, Valdir da Silva Carvalho, cuja prisão por envolvimento no caso foi decretada na última sexta-feira. A mando de Cavalcante, o delegado teria planejado e encomendado a execução de Eto, que havia denunciado a participação do ex-tenente-coronel no assassinato de Sílvio Vianna. Eto foi morto com cinco tiros de pistola PT 380 e revólver 38, por volta das 11h15, em pleno centro de Maceió, no dia 9 de novembro de 2002. O crime teria sido executado pelo PM Emanuel Guilherme da Silva, o Fininho, e por homens da equipe de Cavalcante. Para chegar a essa conclusão, os dois promotores ouviram depoimentos de dois ex-integrantes do grupo de Cavalcante: o ex-PM Garibalde Amorim e o pistoleiro Fernando Fidélis. Com acesso a relatórios de ligações recebidas pelo ex-tenente-coronel, aos contatos internos e externos e à relação de pessoas que freqüentam a sua cela especial, os promotores descobriram diversos fatos que reforçariam a participação de Cavalcante em uma extensa rede de crimes. A GAZETA apurou também que Cavalcante mantém um alto padrão financeiro, que inclui investimentos em veículos e imóveis. O dinheiro arrecadado com sua suposta participação em crimes estaria sendo depositado em contas de parentes de confiança. Ao longo dos depoimentos, Garibalde Amorim e Fernando Fidélis teriam revelado a participação de Cavalcante em outros crimes. Mas, segundo o promotor Marcos Mousinho, apesar de Garibalde e Fidélis falarem sobre a participação do ex-tenente-coronel em vários assassinatos, eles só confirmaram oficialmente a participação dele nas mortes de Sílvio Vianna e de Ebson Vasconcelos, em depoimento ao juiz Braga Neto. ?Os dois citaram a participação do ex-militar em vários outros crimes, mas não assinaram as denúncias?, disse o promotor. Leia mais sobre o caso nas páginas E2, E4 e E5