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Professora complementa renda catando latas

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VITÓRIA ALCÂNTARA A professora da rede estadual de ensino Grazziene Ferreira de Medeiros, 49 anos, acorda todos os dias às 4h30 para catar latinhas de alumínio e garrafas plásticas de refrigerante nos sacos de lixo depositados nas calçadas de residências e prédios do bairro do Pinheiro. Recebendo um salário bruto de R$ 950 por mês, viúva e com quatro filhos para sustentar, Gabi, como é conhecida, viu na coleta de material reciclável a oportunidade de trocar o que os outros jogam fora por uma cesta básica por semana para a família. Ela afirma que não se envergonha de ser catadora. ?É um trabalho digno, honesto?. Viúva há cinco anos e tendo de sustentar os quatro filhos, Gabi aceitou o convite de uma amiga para catar material reciclável. ?Fazia para ajudá-la. Mas no aniversário de 15 anos de uma das minhas filhas, quando eu não tinha dinheiro nem para um bolo, pensei em juntar algumas garrafas e trocá-las por um bolo. A minha amiga e o esposo disseram que eu não precisava fazer isso. Eles me deram o bolo e me fizeram uma proposta: em troca das latinhas de alumínio e garrafas Pets que eu catasse, eles me dariam uma cesta básica por semana. Aceitei e cato o material há um ano e um mês?. Cotidiano O dia da professora começa antes do sol nascer, às 4h30. Enquanto alguns moradores do Pinheiro fazem exercícios físicos pelas ruas do bairro, Gabi caminha levando um saco plástico onde vai colocando o material recolhido nos lixos domiciliares. Por volta das 7 horas ela volta para casa, onde dá aula particular. Aos sábados a professora fica até as 11 da manhã. Essa rotina fez Gabi ficar conhecida pelas ruas onde passa. ?Algumas pessoas me olham diferente. Noto um ar de desprezo, mas não me abato. Chego alegre, dou bom dia e pergunto se está tudo bem. Mas existem pessoas simpáticas, que fazem a coleta seletiva para mim e me tratam bem. Meus alunos também me ajudam, trazendo latinhas e garrafas. Até os vizinhos juntam material e jogam por cima do muro?, conta. Às vezes, diz a professora, ela se pega pensando a que ponto chegou. ?Penso isso não porque abro o lixo das pessoas à procura de material reciclável, mas porque tenho uma profissão e poderia ser valorizada pelo que faço e assim não precisaria trocar as garrafas e latinhas por uma cesta básica para minha família?.Continua na página E15

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