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Nº 5712
Cidades

Covid mata 200 professores, alunos e corpo técnico da Ufal

Segundo a Reitoria da universidade, pandemia provocou uma evasão histórica de 8 mil estudantes

Por arnaldo ferreira | Edição do dia 03/12/2022 - Matéria atualizada em 03/12/2022 às 13h53

Antes da pandemia do coronavírus, em 2019, a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) tinha no seu corpo discente mais de 28 mil estudantes matriculados nos 102 cursos de graduação e 40 de pós-graduação. Além de contaminar e matar 200 professores, técnicos e estudantes, a Covid-19 provocou a evasão de mais de 8 mil universitários. A informação dos setores de saúde e pedagógico foi confirmada pelo reitor da universidade, professor Josealdo Tonholo.

As evasões ocorreram em todas as áreas dos cursos da Ufal, inclusive em setores de alta concorrência, como os de saúde e tecnológicos. Nestes, historicamente, sempre houve baixo índice de abandono entre os estudantes. “É um fato inédito. Estamos com dificuldade, inclusive, de completar as vagas no curso de medicina, mesmo com segunda e terceira chamadas. Em 62 anos de fundação da universidade, nunca ocorreu um elevado índice de evasão assim”, lamentou Tonholo ao acrescentar que esta é a maior evasão universitária.

Vários aspectos contribuíram para a evasão. O impacto da Covid gerou problemas na saúde mental, física e o empobrecimento generalizado da população. O fenômeno é nacional e ocorreu nas 69 instituições federais de ensino superior. “A evasão de estudantes elevadíssima ocorre em todo o País; nas instituições privadas há impacto. As pessoas buscam desesperadamente trabalho e algumas não acreditam mais no ensino superior como uma forma de melhorar de vida”, acrescentou o reitor.

Livro sobre a covid

No meio do caos provocado por cortes orçamentários, a Ufal fez um esforço para lançar o livro “Na luta pela vida”, do professor Elder Maia, do Instituto de Ciências Sociais, e do jornalista Hiago Rocha, assessor de Comunicação da instituição. O livro mostra o trabalho que a universidade fez para atender as vítimas do coronavírus, que desde 2020 até agora já matou mais de 7.140 alagoanos.

“Na luta pela vida” traz os resultados das pesquisas, dos procedimentos que deram certo, mostra o que a ciência desenvolveu e aprendeu com os desafios impostos pela pandemia; a obra mostra ações de testagem e atendimento à população, ações dos departamentos de ensino e pesquisa, a contribuição no planejamento estratégico de combate a pandemia no estado e municípios além de garantir internação e tratamento de pacientes. Segundo o reitor, no período crítico da pandemia foi montada uma tenda ao lado do Hospital Universitário (HU) para apoiar o Estado no atendimento à população. “Garantimos assistência, fizemos pesquisas, apoiamos, ensinamos as pessoas a usar até os benefícios sociais. O nosso hospital foi considerado pela Controladoria Geral da União como o de melhor Unidade de Terapia Intensiva no atendimento aos pacientes graves de Covid 19”. Dentro da estratégia de parceria da universidade com os sistemas de saúde do Estado e dos municípios, foi montada uma enfermaria completa, ala semi-intensiva e a estrutura de UTI específica para os pacientes graves. A capacidade de atendimento era de 60 pessoas. O HU teve que se readaptar para atender as outras comorbidades e funcionou. Entre os 3,6 mil docentes, técnicos e 24 mil estudantes, a Ufal registrou milhares de pessoas contaminadas. Com a redução de casos, e aparente situação controlada, por conta da vacinação e das pesquisas avançadas, a estrutura já foi desmontada.

aumento dos casos

Os pró-reitores estão discutindo novas medidas sanitárias diante do recente aumento de casos da Covid-19. A Ufal faz testagens duas vezes por semana em professores, técnicos, terceirizados e estudantes e já constatou que 50% dos testados apresentaram resultados positivos. “Não tem como deixar um técnico, professor e/ou outros membros da comunidade universitária positivado, mesmo com sintomas leves, irem para a instituição”. Nas salas de aula, o uso de máscara voltou a ser real. Casos suspeitos são afastados e se discute também a adoção novamente do modelo pedagógico remoto. “Por sorte, nosso calendário acadêmico encerra neste mês e o calendário de matrícula está previsto para fevereiro. Daí teremos tempo para adotar as medidas necessárias para cada curso”, finalizou o reitor.

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