Cidades
Lessa admite: h� crime organizado no Baldomero
ODILON RIOS E GILVAN FERREIRA A possibilidade de o ex-tenente-coronel Manoel Francisco Cavalcante estar comandando uma facção do crime organizado de dentro do presídio Baldomero Cavalcanti, conforme denúncia publicada pela GAZETA neste domingo, foi admitida ontem, no final da manhã, pelo governador Ronaldo Lessa (PSB). ?É lamentável [o que foi publicado], mas dá para se supor que ele [Cavalcante] tenha pessoas influentes do lado de fora. A influência é possível por causa de testemunhas que são assassinadas?, disse. Mesmo assim, o governador disse que não fará mudanças na cúpula da Secretaria de Defesa Social, Justiça e de Ressocialização, responsável pelo gerenciamento do sistema prisional. ?Isso depende dele [Robervaldo Davino], mas infelizmente é uma conjuntura do país. O Davino tem sido excelente?, disse. A GAZETA apurou que Lessa tinha a intenção de substituir o secretário Robervaldo Davino pelo atual comandante da Polícia Militar, coronel Edmilson Cavalcante, que seria substituído pelo comandante do Policiamento do Interior (CPI), coronel Jorge Silva Coutinho. De acordo com o governador, ?existia desconfiança? de que Cavalcante comanda, de dentro do presídio, uma rede de crimes. ?Eu posso lhe garantir, tecnologicamente, que esse comando não é direto. Mas o co-mando indireto pode existir. Havia pessoas que no presídio comandavam rebeliões pela sua força, pela estrutura que ele [Cavalcante] tem fora?, afirmou o governador. O secretário de Ressocialização, Valter Gama, explicou que o detento Eraldo Firmino de Oliveira Júnior, que era vizinho de cela de Cavalcante, ?foi transferido, a pedido dele, para o Cirydião Durval?. Ao contrário do governador, que admitiu a possibilidade de Cavalcante comandar crimes de dentro do presídio, o secretário disse que ?desconhece? o fato. ?Desde que assumi, esta é a primeira vez que ouço falar disto. Acho que a denúncia deve ser apurada. Isso me surpreendeu. Tomei conhecimento pela imprensa?. Ouvido pela GAZETA, o secretário de Defesa Social, Robervaldo Davino, disse que ?segurança pública não se faz com suposições ou denúncias sem fundamento?. ?No momento em que tivermos alguma coisa com fundamento, nós investigaremos?, completou Davino. As investigações sobre o planejamento de assassinatos dentro do Baldomero estão sendo conduzidas pelos promotores Alfredo Gaspar de Mendonça Neto e Marcus Mousinho, respectivamente das 2ª e 3ª Varas Especiais Criminais. No começo deste ano, Mousinho, mediante depoimentos, mostrou a trama que supostamente teria sido armada para matar o tributarista Sílvio Vianna, em outubro de 1996. Entre os integrantes dessa trama estariam o ex-tenente-coronel Manoel Cavalcante e empresários alagoanos, citados na investigação do Ministério Público Estadual.