Cidades
Encapuzados invadem barraco, matam �adolescente e namorado na Jaqueira
A adolescente Ana Paula Ferreira Soares, 16, e seu namorado, Diógenes da Silva Leite, 24, foram executados a tiros de revólver 38 e pistola calibre 380 na madrugada da última segunda-feira, num barraco da Grota do Zé Miguel, na Chã da Jaqueira. Ela havia acabado de deixar a custódia da Justiça, pois esteve submetida a investigação social, acusada de participação em assassinato e tráfico de drogas, e voltou a se envolver numa tentativa de homicídio, na noite do último domingo, também na Chã da Jaqueira. Ana Paula se tornou conhecida da polícia porque foi presa com um revólver calibre 357, de fabricação americana, e uma pistola 380, numa operação policial realizada nas imediações do antigo Esquadrão de Cavalaria. Na oportunidade, ela declarou aos policiais que andava armada para vingar a morte da mãe, Maria Lúcia Soares, morta na porta de um bar da Chã da Jaqueira, e de um irmão, que a polícia não soube informar a identidade. Os dois crimes ocorreram entre junho de 2003 e fevereiro de 2004. Além de envolvimento com tráfico na periferia de Maceió, Ana Paula esteve investigada pela participação em assaltos à mão armada com um grupo de adolescentes, na orla de Maceió, principalmente nas praias de Ponta da Terra e Pajuçara. Encapuzados ?Eu estava assustada com a volta dela para cá, na semana passada. Fiquei sabendo que ela tentou matar um rapaz a pauladas próximo à boate Scorpion?s e tinha retornado para casa como se nada tivesse feito. Foi quando um grupo de homens encapuzados invadiu a casa e começou a atirar?, declarou uma vizinha, Maria Cláudia dos Santos. Os vizinhos contaram também que a adolescente havia assumido o tráfico de drogas na favela. ?A mãe dela tinha assumido a venda de maconha no lugar do filho assassinado. Quando a mãe morreu, ela pegou o boné e saiu dizendo que agora era com ela e quem quisesse enfrentá-la se preparasse para o pior?, revelou o ambulante Roberto Custódio. Ontem, policiais do 4º Distrito intimaram parentes de Ana Paula a prestarem declarações no inquérito instaurado pelo delegado Denisson Albuquerque, que informou não ter pistas de quem praticou o duplo homicídio. Três revólveres Pessoas que estiveram no barraco onde o casal foi executado declararam ontem que, ao lado do corpo de Ana Paula, havia dois revólveres 38 e mais uma arma ao lado do cadáver de Diógenes. Apesar de estarem armados, eles não tiveram chance de defesa: os encapuzados já entraram na casa atirando. ?É possível que o casal estivesse drogado no momento do atentado?, disse Maria Cláudia. Um adolescente, de 15 anos, comentou ter visto duas pontas de cigarro num canto da sala, perto dos corpos. Como ainda estava escuro, não soube precisar se eram de maconha. Ele confirmou que mora no barraco vizinho e que ouviu os tiros, mas não conseguiu ver nada. ?Quando saí de casa, eles tinham fugido?, afirmou. Os moradores da grota admitem que se sentem mais tranqüilos agora. Desde a morte da mãe, Ana Paula tinha perdido o controle. Andava armada e enfrentava todo mundo, até mesmo quem não queria briga com ela. ?Acho que ela participou da morte de pelo menos dois viciados. No entanto, não chegou a matar os caras que assassinaram a mãe dela?, confirmou Maria Cláudia.