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Corpos de dois jovens s�o achados em Rio Largo

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EDNELSON FEITOSA Dois cadáveres encontrados ontem num trecho de mata em terras da Usina Utinga Leão, em Rio Largo, levantam suspeitas do surgimento de um novo cemitério clandestino no local, que na década de 90 foi usado por grupos de extermínio para ?desova? de cadáveres. Desde o último mês de agosto, segundo o delegado Marcílio Barenco, foram encontrados na região seis corpos de pessoas jovens, entre 18 e 20 anos, com características de execução sumária: perfurações de balas de arma de fogo na cabeça. Os corpos recolhidos ontem pelo Instituto Médico Legal Estácio de Lima eram também de rapazes, que vestiam bermudões e camisetas. Um deles tinha um boné que foi deixado ao lado do cadáver. As vítimas foram deixadas a poucos metros da estrada de terra, próximo ao canavial. Os funcionários do IML de Maceió estimaram que as vítimas foram deixadas na mata há 10 ou 15 dias, pois era adiantado o estado de decomposição. Já não havia tecido mole na cabeça e as perfurações no crânio estavam bem visíveis. O delegado Marcílio Barenco admitiu a possibilidade de realizar uma varredura na mata para tentar encontrar outros corpos, desde que haja viabilidade material. ?Vou procurar parentes de pessoas desaparecidas para que solicitem exames de DNA para identificar os cadáveres encontrados em Rio Largo nos últimos meses?, declarou ele. Barenco destacou seu propósito de manter contato com um funcionário do Detran, Sebastião Pereira, que teve um filho, o desempregado Carlos Roberto dos Santos, desaparecido em agosto deste ano. ?É possível que seja um dos corpos encontrados em Rio Largo?, admitiu o delegado. O caso tem como acusados seguranças do deputado estadual Luiz Pedro (PDT). Carlos Roberto foi seqüestrado por quatro homens, na presença da esposa, Alessandra Cristina da Silva. O processo está sendo conduzido pelo juiz Hélder Loureiro, da 3ª Vara Criminal. Adézio Rodrigues Nogueira e Laércio Pereira Barros, presos desde outubro, alegam inocência e acusam os policiais militares Genivaldo Teixeira (o Godzila) e Naelson e um funcionário do deputado, Leone Lima, o Léo. Até hoje, o cadáver não foi localizado. Dificuldade Em Alagoas, as polícias Civil e Militar, organizações não-governamentais e entidades alagoanas ligadas aos direitos humanos não sabem quantos são os desaparecidos, nem dispõem de algum tipo de serviço para ajudar às famílias que tenham algum parente desaparecido. Entre os casos de desaparecimento de pessoas em Alagoas ? que ganharam destaque na imprensa local e nacional ? estão as 64 ossadas encontradas em cemitérios clandestinos, considerados hoje crimes ?insolúveis? no Estado. Foram esqueletos humanos encontrados em três cemitérios clandestinos, localizados em canaviais próximos ao Conjunto Benedito Bentes, em 1998.

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