Cidades
Aumenta tens�o entre dire��o da FAL e docentes
FÁBIA ASSUMPÇÃO A guerra travada entre a direção da Faculdade de Alagoas (FAL) e professores do curso de Direito parece estar longe de um desfecho. Desde que o professor Adriano Nascimento foi demitido ? e outros 21 professores, em solidariedade, solicitaram o mesmo tratamento dado ao professor ? aumentou o clima de tensão entre os docentes que contestaram a demissão e a direção da instituição. Após receber dos professores o documento solicitando que fossem também demitidos (eles não chegaram a pedir demissão, alegando que isso implicaria na perca de benefícios trabalhistas), a direção respondeu, em ofensiva, dando um prazo até ontem para que os 21 professores do curso pedissem oficialmente suas demissões. No documento enviado aos professores, assinado pela diretora geral da instituição, Lícia Gatto, e enviado por meio de carta registrada (AR), no dia 13 de dezembro, estava incluso um formulário de pedido de demissão, insinuando que se os professores queriam, de fato, pedir demissão, deveriam então preencher o formulário. O documento foi desconsiderado pelos professores. ?Se ela (Lícia Gatto) quiser, que nos demita?, avisou a professora Simoni Nascimento, uma das que recebeu a correspondência com o modelo de solicitação de demissão. O professor Marcelo Jobim, membro da Comissão de Ensino Jurídico da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/AL), diz que já foi encaminhado ao MEC e à OAB um documento sobre os problemas no curso de Direito da FAL. O documento também teria sido enviado para a Estácio de Sá, entidade mantenedora da instituição. Segundo os professores, a direção já solicitou a presença de alguns dos docentes insatisfeitos à direção de Recursos Humanos da faculdade, provavelmente para que sejam demitidos. A demissão pode gerar mais protestos e insatisfação entre os alunos do curso. Histórico O embate entre os professores de Direito e a direção da FAL teve início em setembro, quando cinco alunos da faculdade foram alvos de um inquérito interno da Faculdade por terem liderado uma manifestação contra um reajuste de 14,5% na mensalidade. Na ocasião, os professores assinaram um manifesto de repúdio à direção da instituição e começaram a questionar os critérios administrativos da FAL, inclusive no tratamento dado aos alunos e professores. Segundo o procurador geral da República, Delson Lyra, que integra a comissão de professores que ameaçam se demitir, os docentes propuseram, na época, a criação de uma Comissão de Gestão Compartilhada, uma espécie de conselho que faria um acompanhamento não só do projeto pedagógico da instituição, mas também a avaliação dos critérios para demissão e admissão dos professores na instituição. Segundo ele, a própria diretora da FAL, Lícia Gatto, teria se comprometido, em acordo assinado, a consultar a comissão antes de tomar decisões sobre os critérios de demissão de professores do curso. ?Com a demissão do professor Adriano Soares, ela simplesmente ignorou o acordo?, diz o procurador. Segundo ele, a direção da instituição já vinha dando sinais de que a comissão incomodava pelo fato da direção pretender promover uma reengenharia que significaria, em sua opinião, uma queda na qualidade de ensino. Lyra diz que o projeto prevê a junção de turmas e o aumento da carga horária dos professores, que teriam que acumular várias disciplinas. O embate dentro do curso provocou até cenas de agressão dentro da faculdade. O professor Ivan Luiz, um dos insatisfeitos com a FAL, teria sido agredido fisicamente pelo diretor acadêmico do curso de Direito quando tentava aplicar as provas numa das turmas. ?Nós não temos mais segurança para freqüentar a faculdade, já que houve até agressões físicas?, diz a professora Simoni Nascimento.