Cidades
Pol�cia processa delegado acusado de crime
FELIPE FARIAS A Polícia Civil vai instaurar processo administrativo contra o delegado Valdir Silva de Carvalho, para apurar a denúncia de envolvimento dele no assassinato do vigilante Ebson Vasconcelos, o Eto, ocorrido há dois anos, considerado como ?queima de arquivo? no caso do assassinato do tributarista Sílvio Vianna. Até o fim da semana, o diretor-geral da Polícia Civil, Roberto Lisboa, deve baixar portaria determinando o início da apuração, a ser feita pela Corregedoria Geral da corporação. O delegado Valdir de Carvalho, que respondia pela delegacia do 4º Distrito, foi preso na semana passada, mas liberado depois de obter habeas corpus do Tribunal de Justiça. Procurado ontem pela GAZETA limitou-se a dizer que todas as suas atitudes sobre o caso serão encaminhadas ?pela via legal?. ?Não vou dar credibilidade a dois bandidos condenados?, resumiu. O delegado informou que está muito ?desgastado? com a situação. E acrescentou que todas as medidas que tomará a partir de agora sobre o caso estarão restritas à esfera legal. Queima de arquivo O envolvimento dele foi apontado por uma investigação realizada pelo Ministério Público sobre a morte de Sílvio Vianna, o chefe de arrecadação da Secretaria da Fazenda, assassinado em 28 de outubro de 1996. O vigilante Eto foi apontado como um dos executores. Preso pela polícia, ele alegou inocência e acusou o ex-tenente-coronel da PM Manoel Cavalcante como a pessoa que intermediou o crime. Eto foi posto em liberdade e há dois anos acabou executado no Centro de Maceió. Dois promotores de Varas Criminais da comarca de Maceió investigaram os desdobramentos do caso Vianna e obtiveram de dois detentos que estão recolhidos ao presídio Baldomero Cavalcanti depoimentos que incriminam o delegado Valdir de Carvalho no assassinato de Eto. Segundo Garibalde Amorim e Fernando Fidélis, o delegado foi a pessoa que intermediou o assassinato de Eto, a mando do ex-tenente-coronel. Na última sexta-feira, Valdir de Carvalho teve sua prisão decretada e ficou quatro dias recolhido à sede do Tigre, o grupamento especial da Polícia Civil. Processo Ontem, o diretor-geral da Polícia Civil, Roberto Lisboa, informou que até amanhã deve encaminhar à Corregedoria da corporação portaria determinando a abertura de processo administrativo para investigar o delegado Valdir de Carvalho. O documento será encaminhado à corregedora-geral, delegada Maria de Fátima Fernandes, a quem caberá designar uma comissão de três outros delegados, que ficarão encarregados da investigação. ?O delegado [Valdir] está indiciado no processo penal, que certamente servirá de base para o administrativo?, informou. Lisboa disse que a Polícia Civil não tinha conhecimento de que o titular do 4º Distrito estava sendo investigado. ?Fomos pegos de surpresa?, admitiu. Como passou à condição de indiciado, Carvalho foi afastado de suas funções na delegacia, situação em que permanecerá enquanto durar o processo. O diretor-geral disse que, se ficar comprovado o envolvimento do delegado Valdir de Carvalho no caso Eto ? nos termos em que foi denunciado ? ele pode ser punido até com a perda do cargo, por tal procedimento. A comissão de corregedores tem prazo de trinta dias para concluir o processo, prorrogáveis por mais trinta. Mas, segundo Lisboa, há investigações que estão em andamento há dois anos e ainda não foram concluídas. ?Tudo depende do quanto a defesa queira postergar o processo. Primeiro porque será concedido o direito à ampla defesa. Muitas vezes, os advogados de um investigado fazem vários pedidos durante a investigação, que os corregedores não podem negar, sob pena de se alegar depois que o direito à defesa não foi concedido?, disse o diretor- geral.