Cidades
Moradores fecham AL-101 contra atropelamentos
DORGIVAL JUNIOR O atropelamento seguido de morte da estudante Talita Teixeira do Carmo, 7, em um trecho da AL-101 Norte, entre Jacarecica e Cruz das Almas, por volta do meio-dia de ontem, causou revolta nas famílias da comunidade Vila Emater, localizada à margem da rodovia e onde a criança residia com a mãe e mais quatro irmãos menores. Os moradores fecharam a rodovia com pedaços de pau e pedras, além de atear fogo em pneus e palhas de coqueiro, logo após a garota ter sido atropelada por um Jipe, cor prata, placa MUW 8166, cujo motorista fugiu sem prestar socorro à vítima. O protesto só foi encerrado às 14h30. De acordo com relatos dos moradores, a menina estava atravessando a pista em companhia de uma colega, quando foi atingida pelo veículo e jogada no canteiro da pista. A garota sofreu várias fraturas pelo corpo. ?Fui a primeira pessoa a tentar ajudá-la. Ela estava com vida. Passei vários minutos pedindo ajuda aos veículos que passavam pela rodovia, mas ninguém se comoveu. Quando a ambulância do resgate chegou, ela já estava morta?, disse a dona de casa Maria do Socorro. Segundo ela, a garota cuidava de quatro irmãos mais novos para que a mãe pudesse trabalhar no Lixão, de onde tira o sustento da família. Dez mortes O corpo da menina só foi recolhido pela viatura do Instituto Médico Legal por volta das 14h, quando a pista já estava fechada pelos moradores da Vila Emater. ?Já morreram mais de dez pessoas aqui neste trecho. Não adianta ter um sinal de trânsito. Queremos que seja instalado um radar ou uma lombada eletrônica?, disse o pedreiro e morador da vila, André Lima. ?Alguma coisa tem que ser feita. A garotinha foi atropelada perto de um sinal que não é respeitado por nenhum motorista. Os carros passam pela rodovia em alta velocidade?, disse um morador da Vila Emater, Jesse Manoel dos Santos, acrescentando que na noite da última quarta-feira um homem idoso também foi atropelado no mesmo local onde a menina foi morta.Com o protesto dos moradores da Vila Emater, um longo congestionamento de veículos se formou nos dois lados da rodovia. Os condutores eram obrigados a desviar pelo Sítio São Jorge e Barro Duro. Os motoristas de ônibus que fazem linha até o Litoral Norte tiveram que esperar a liberação da rodovia. O protesto, que foi acompanhado pelos oficiais do Centro de Gerenciamento de Crises e dos Direitos Humanos da Polícia Militar, só foi encerrado com a chegada de um representante do Departamento de Estradas de Rodagem (DER). ?No momento, não temos condições de construir um radar ou lombada eletrônica neste trecho da rodovia. A reivindicação deles deve passar por estudo técnico para que possa ser aprovada ou não. Como o DER está realizando processos de licitação para a contratação de novas construtoras, a obra só poderá ser executada em fevereiro?, disse o diretor de transporte e trânsito, Alexandre Acioly.