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Escolas v�o “esticar” o ano letivo de 2004

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FÁBIA ASSUMPÇÃO O estudante Leonardo Ferreira da Silva, 16, vai passar o período natalino estudando e não terá direito a férias em janeiro. Aluno do 1º ano do ensino médio da Escola Alfredo Gaspar de Mendonça, no Conjunto Eustáquio Gomes de Mello, ele e milhares de estudantes de outras escolas públicas estaduais enfrentam o atraso no calendário escolar, provocado por vários problemas ao longo do ano, como greves dos profissionais de educação, falta de professores e demora para a chegada dos monitores. Leonardo fez, na semana passada, as provas do Processo Seletivo Seriado (PSS) da Ufal e tem consciência que vai disputar uma vaga na universidade em desvantagem com os alunos de escolas particulares. ?Teve cálculos que caíram na prova que eu nunca vi?. Ele não se incomoda, no entanto, de ter que estudar nas férias. ?Prefiro isso, a fazer de conta que tive aula?. A diretora-adjunta da Alfredo Gaspar de Mendonça, Maria Jandira Domingos, explica que a escola deu início ao ano letivo em março. Mas em algumas disciplinas houve atraso no calendário por causa da adesão de quase um mês à greve, realizada pelos professores, no início, além da demora na contratação de monitores. Os professores que não aderiram à greve e os monitores que trabalham desde o início das aulas conseguiram concluir o ano letivo no dia 16 de dezembro. Em algumas disciplinas, os monitores só chegaram há duas semanas. Estes terão que correr para cumprir o calendário em janeiro. Segundo Jandira, existem situações diferenciadas na escola. Os alunos de uma extensão da escola em outro prédio só devem concluir o ano letivo em meados de janeiro. A situação é ainda mais grave para os alunos do período noturno, que deverão adiar um pouco mais as férias, e só vão concluir o ano perto do carnaval. Ao todo, a escola tem 3.800 alunos, do 1º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio. Muitos deles terão que abrir mão das férias para assistir a aulas de apenas uma ou duas disciplinas. Calendário flexível O coordenador de Educação da Secretaria Executiva de Educação (SEE), Neilton Nunes, informou ontem que 60% das escolas da rede pública estadual deverão concluir o ano letivo de 2004 em dezembro. Pelo menos quatro deverão concluir entre os meses de março e junho. Ele reconhece que o descompasso no calendário das escolas prejudica pedagogicamente os alunos, principalmente os que estão fazendo o PSS da Ufal. ?Não dá para negociar com as universidades uma adaptação, já que o calendário das escolas não pode ser uniforme?. Ele salienta, no entanto, que o calendário das escolas é flexível e estabelecido de acordo com a situação de cada unidade. E enfatiza que a Lei de Diretrizes e Base da Educação (LDB), estabelece a autonomia pedagógica, mas que sejam cumpridos 200 dias letivos e 800 horas/aula no ano. Segundo Neilton, não é só a falta de professores que compromete o ano letivo, mas também o fato de algumas escolas terem passado por reforma. Ele acentuou a falta de recursos humanos da educação, porque não há profissionais suficientes no mercado, principalmente da área de Ciência Exatas. ?São dificuldades que o Estado enfrenta desde 1999 e a cada ano vem tentando superar essa carência?. Até fevereiro, a Secretaria de Educação deve realizar um novo concurso público para contratação de 3.600 professores, além de pessoal de apoio administrativo como merendeiras e serviços gerais. No total, o concurso deverá oferecer 7 mil vagas. Incluindo professores de matemática, mas que segundo Neilton ainda não vai resolver a carência nessa área.

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