Cidades
A via-cr�cis da urg�ncia m�dica p�blica de AL
FERNANDO COELHO Indisposição política, corporativismo médico ou incompetência administrativa? Quais são, de fato, os verdadeiros motivos para o eterno descaso com o atendimento médico de urgência no Estado? Entra ano, muda governo, troca secretário e os setores emergenciais da saúde pública em Alagoas continuam na UTI sem encontrar a panacéia para os males que causam a enfermidade da superlotação, sobretudo na Unidade de Emergência Armando Lages (UE). Os avanços promovidos pelo atual governo para o setor são palpáveis, porém, insuficientes para atender à contínua demanda populacional. ?Acho que houve um desabastecimento do sistema. O número de leitos total para o SUS diminuiu e a população aumentou?, afirma o cirurgião e coordenador acadêmico do Hospital José Carneiro, André Seabra. Apenas recentemente, com a implantação da unidade do Agreste, em Arapiraca, a rede se ampliou e desafogou o fluxo constante da UE. Por 25 anos, ela foi o único meio para socorrer os casos de urgência em Alagoas. Mesmo assim, a unidade atende diariamente entre 450 e 500 pacientes, dos quais 50% são casos ambulatoriais, que fogem da verdadeira missão da instituição: o atendimento de emergência. Este é o principal motivo alegado pelo médico Marcus Sampaio, diretor da unidade há cinco anos, para a incessante superlotação. ?Temos dois tipos de pacientes que não deveriam estar internados aqui. O de atendimento ambulatorial e o paciente crônico, com problemas neurológicos, renais, cardíacos, respiratórios e que vem para cá quando poderia estar sendo atendido em casa ou mesmo nos hospitais eletivos?, explica. A falta de investimentos na chamada Atenção Básica, como o Programa de Saúde da Família (PSF) em Maceió, também faz recrudescer a superlotação nas emergências. ?A superlotação existe há mais de 10 anos em conseqüência da transformação de um hospital destinado a atendimentos de urgência e emergência em hospital geral. Entre 50% e 60% dos casos encaminhados ao pronto-socorro não deveriam ser atendidos ali, mas em unidades de atenção básica?, atesta o secretário de Estado da Saúde, Álvaro Machado. Leia mais nas páginas E2 e E3