Cidades
K�tia contesta Gazeta sobre obras prometidas e n�o feitas
Em carta encaminhada à redação da GAZETA DE ALAGOAS, a prefeita de Maceió, Kátia Born, diz que causou-lhe ?indignação e estranheza? a reportagem que foi manchete da GAZETA do último domingo, sob o título Kátia encerra dois governos devendo obras. Na matéria, o repórter Fernando Coelho faz um levantamento de obras e ações da prefeitura prometidas pela prefeita e que não serão concluídas em sua gestão, que termina na próxima sexta-feira, 31. Na carta, a prefeita relaciona ações de sua administração que, na sua opinião, foram ?omitidas? na reportagem. E tenta justificar o que não foi feito ou concluído. É o caso da promessa de casas para os moradores da favela de Jaraguá. Kátia Born alega que ?por resistência do governo FHC o processo de cessão da área para o município ficou engavetado? e que, por isso, ficou ?impossibilitada de executar qualquer projeto habitacional naquela área?. A explicação não exclui esse item das promessas não cumpridas. Quanto à questão da despoluição do Salgadinho, a prefeita repete o que já vem sendo dito: a Praia da Avenida só tem balneabilidade durante o verão, e a despoluição completa depende das obras do eixo viário do Reginaldo. ?Infelizmente não conseguimos que a bancada federal viabilizasse emendas que possibilitariam a construção das pistas do Vale do Reginaldo?. Mais uma vez, a prefeita transfere a responsabilidade pela não conclusão de uma obra prometida. Na carta, a prefeita enumera diversos feitos de suas duas gestões. A reportagem não trata dessas realizações, mas sim daquilo que foi prometido e não realizado. Mesmo assim, em trechos da reportagem, a GAZETA lembra melhorias feitas pela administração Kátia Born, como na Saúde ? erradicação de epidemias, reforma de 42 postos, concurso público ? mas reafirma que faltam medicamentos nos postos, e isso é fato. Em sua carta, a prefeita lista outros itens positivos da Saúde ? mas não toca na questão da falta de remédios nos postos. Na Educação, a matéria da GAZETA registra o ?palpável avanço nos indicadores?, mas não se cala diante da realidade que mostra cerca de 70 mil crianças sem escola. Em sua missiva, a prefeita afirma que colocou 22 mil alunos nas salas de aula. A questão abordada pela reportagem ? é necessário repetir ? não é o que foi feito, mas o que foi prometido e faltou fazer. A promessa foi a de não deixar nenhuma criança sem escola. E há 70 mil. Para enriquecer a reportagem e mostrar que as promessas não cumpridas foram além das obras estruturantes, o repórter pesquisou o discurso da prefeita em seu último debate eleitoral na campanha de 2000. Foi nele que Kátia Born prometeu, entre outras coisas, construir casas para os favelados de Jaraguá, não deixar nenhuma criança fora das salas de aula e não deixar faltar medicamentos em nenhum posto de saúde em Maceió. Na carta, a prefeita aborda a questão dos corredores de transporte: ?Prometi construir cinco. Fiz sete?. A GAZETA sustenta: ela prometeu construir sete corredores, e fez cinco. No caso da requalificação do Centro, a prefeita diz, na carta, que ?as obras já começaram e estamos deixando os projetos concluídos para serem executados. E, mais uma vez, alega a necessidade de recursos federais. A GAZETA registra na matéria que a primeira etapa não será concluída até 31 de dezembro. Na questão da cratera do Benedito Bentes, a prefeita diz que ?o buraco está 80% concluído e devemos finalizá-lo até o final da semana, inclusive com a pavimentação da rua que estava interrompida?. A GAZETA apurou que faltam 30% das obras da cratera e que a pavimentação da Avenida Pratagy não será concluída até o fim do atual governo. É importante salientar que a fonte de informações consultada pela GAZETA sobre todas as obras estruturantes não concluídas este ano ? inclusive a despoluição do Salgadinho, os corredores de transporte e a reurbanização das orlas marítima e lagunar (ainda parcialmente feitas) ? foi o Sr. Eduardo Pitta, engenheiro de Fiscalização da Secretaria Municipal de Infra-estrutura.