Cidades
Lessa cobra fim de regalias no Baldomero
GILVAN FERREIRA Pressionado pelas denúncias de concessão de uma série de privilégios ao ex-tenente-coronel Manoel Francisco Cavalcante, condenado a mais de 50 anos de prisão por envolvimento com a gangue fardada e os assassinatos do delegado Ricardo Lessa e do tributarista Sílvio Vianna, o governador Ronaldo Lessa decidiu cobrar do secretário de Defesa Social, Robervaldo Davino, uma investigação ?rigorosa? sobre o caso. Lessa disse que não vai aceitar o envolvimento do aparelho de segurança pública do Estado com o crime organizado e a pistolagem. ?É preciso que fique mais uma vez absolutamente claro para a sociedade que esse governo vem construindo uma nova relação em seu aparato de segurança. Não é tolerável o envolvimento do aparelho de segurança do Estado com a pistolagem. Esse tipo de fato deve ficar esclarecido, para que a população continue acreditando e colaborando com as ações em defesa do cidadão?, disse ontem o governador, quando indagado sobre as denúncias sobre possíveis regalias do ex-militar dentro do presídio Baldomero Cavalcante. Ontem à tarde, a segurança do presídio foi reforçada nas alas internas e na parte externa, que recebeu um reforço de policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope). A GAZETA apurou que o ex-tenente-coronel ameaça iniciar uma greve de fome para tentar pressionar o fim do processo de transferência para um presídio fora do Estado. As cobranças do governador Ronaldo Lessa também foram dirigidas ao secretário de Ressocialização Walter Gama, responsável pelo gerenciamento do sistema prisional de Alagoas. Demissão Ontem, Walter Gama ? cuja demissão foi especulada nos últimos dias ? criou uma comissão de sindicância para apurar as denúncias de privilégios concedidos ao ex-militar pela direção do Baldomero. As denúncias de benefícios a Cavalcante ? que também é acusado de comandar de dentro do presídio as ações de uma facção do crime organizado ? apontadas como o principal fator que definiram a necessidade da transferência do ex-oficial para um presídio fora do Estado, o que deve ocorrer no próximo mês de janeiro. À prova de fugas No acordo para a transferência de Manoel Cavalcante, definido na última segunda-feira pelo governador Ronaldo Lessa e o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Washington Luiz, ficou definido o interesse de negociar sua transferência com os juízes das Varas de Execuções Penais de Brasília e São Paulo. Dentro do governo há um grupo que defende a transferência de Cavalcante para a penitenciária de Presidente Bernardes, a 585km de São Paulo, considerada a mais segura do país. As características do presídio seguem o mesmo modelo da Supermax, no Estado de Illinois, considerada uma das mais seguras penitenciárias dos Estados Unidos.