Cidades
Macei� espera chegada de 200 mil turistas no ver�o
BLEINE OLIVEIRA Durante os meses de janeiro e fevereiro deste ano, Alagoas vai receber cerca de 200 mil turistas, principalmente da Argentina e do Chile. A ocupação da rede hoteleira nas categorias de 3 a 4 estrelas deverá ser total nesse período, o que mantém o Estado na rota dos principais destinos turísticos do país. Cada turista ? nacional ou estrangeiro ? gasta em média R$ 300 por dia, com alimentação, hospedagem e compras. Multiplicado pelo número de visitantes, esse valor permite projetar em cerca de R$ 60 milhões os recursos que movimentarão a economia alagoana no setor turístico, nesta alta temporada. A indústria hoteleira comemora os números positivos, materializados nos vôos fretados que estão marcados para pousar no Aeroporto Zumbi dos Palmares nos dias 8 e 15 próximos. O primeiro chegou no domingo, 2. Em cada um deles desembarcam cerca de 200 turistas, que permanecem na capital alagoana por uma semana. Mas um bom número deles estenderá a estada na cidade por até 15 dias. Os números são da seccional alagoana da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABIH-AL), otimista com a alta temporada em 2005. Mas, como ressalta o presidente da ABIH, empresário Márcio Coelho, nem tudo é beleza em Maceió. A cidade tem uma natureza exuberante, praias fantásticas, muitas ainda intocadas, mas padece de um mal que pode afugentar os turistas que ainda desembarcam por aqui. Gato por lebre ?Estou cansado de ver turistas apontarem o dedo para meu nariz, dizendo que lhes vendemos gato por lebre?, relata Márcio Coelho. A lebre, ilustra ele, são as belas praias, e o gato a sujeira das ruas e a falta de saneamento básico. É unânime entre os visitantes a reclamação pelos esgotos escorrendo em direção ao mar, um problema que pode inviabilizar totalmente a indústria do turismo em Maceió. Um exemplo de que esse risco não é só discurso dos hoteleiros está na suspensão, este ano, dos vôos que traziam turistas portugueses para a capital alagoana. Eles costumavam chegar para o réveillon e, encantados, estendiam as férias por todo o verão. Os promotores desses vôos decidiram suspender as viagens para Maceió por constatarem que a cidade não está saneada. Agora, as chamadas ?línguas negras? podem afugentar os argentinos e chilenos que continuam a chegar. Márcio Coelho aponta a Companhia de Saneamento e Abastecimento de Água de Alagoas (Casal) como um dos órgãos responsáveis por essa situação negativa. Há 90 dias os hoteleiros esperam que a empresa solucione um entupimento na rede de esgoto dos bairros de Jatiúca, Mangabeiras e Cruz das Almas. Até agora, nenhuma solução foi encontrada para o esgoto que corre a céu aberto. ?Precisamos de providências do poder público, principalmente do governo do Estado, para que o turismo em Maceió não regrida?, declara o presidente da ABIH, pedindo que a Casal passe por uma profunda reestruturação. O representante do setor hoteleiro avalia que se as providências para estruturar a cidade, dando-lhe capacidade para receber bem os turistas, não forem adotadas em curto prazo, de nada adiantará a divulgação de nossas belezas em eventos pelo Brasil e exterior. ?A propaganda boca a boca é muito eficiente e tanto pode atrair como afastar os visitantes?, alerta Márcio Coelho.