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MAIS DE 70% DOS FEMINICÍDIOS JULGADOS EM 2022 RESULTAM EM CONDENAÇÕES

Dos 22 acusados de feminicídio e tentativa que foram julgados pelo Tribunal do Júri no ano passado, 17 foram condenados

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Era 25 de fevereiro de 2020 quando a adolescente de 16 anos Joyce foi morta a tiros, em plena luz do dia e no meio da rua pelo ex-namorado Lucas Felipe, no bairro Cidade Universitária, em Maceió. O motivo: ela se recusava a reatar o relacionamento com ele, caracterizando o crime como feminicídio. Este foi um dos 22 casos de feminicídios e tentativas de feminicídios julgados pelo Tribunal do Júri em 2022 pela Justiça de Alagoas; 72,70% dos casos submetidos ao Tribunal do Júri no estado alagoano resultaram na condenação dos réus. Segundo os autos processuais, Joyce estava com uma amiga dentro de casa, quando foi chamada pelo ex-namorado, afirmando que queria conversar com ela. A amiga da vítima, que estava presente, chamou-o para entrar no condomínio para que ela presenciasse a conversa entre os dois, situação recusada por ele, alegando que gostaria de conversar a sós com adolescente. Ainda de acordo com o processo do caso, o crime foi praticado em via pública, em horário de alta circulação, por volta das 15h. Antes do cometer o feminicídio, Lucas Felipe utilizou da própria força física para puxar os cabelos de Joyce, forçá-la a deitar no chão para, em seguida, atirar contra a cabeça dela. O julgamento ocorreu dois anos depois, em 31 de março de 2022, quando Lucas foi condenado a 17 anos, dois meses e sete dias de reclusão. Lucas Felipe já estava preso preventivamente desde 07 de março de 2022. Dos 22 casos de feminicídios e tentativas que foram julgados pelo Tribunal do Júri em Alagoas em 2022, 17 deles resultaram em uma condenação. Em outros três, o réu morreu antes do julgamento e um quarto foi prescrito porque o processo ficou parado por 15 anos ininterruptos. Dentre os 22 julgados está o crime que tirou a vida de Elizenilda Teodoro Moreira, em 2017, na cidade de Igreja Nova, interior de Alagoas. O feminicídio foi julgado cinco anos depois. O réu José Milton Moreira foi condenado a mais de 20 anos de reclusão em regime inicialmente fechado. A morte de Elizenilda foi motivada por dinheiro. Segundo os autos do processo José Milton fez um seguro de vida no valor de R$ 1.400.000 em nome da vítima e tinha ele próprio como beneficiário. Ele matou a mulher para receber o dinheiro e o crime foi cometido dentro do imóvel do casal, por volta das 4 horas da manhã, com o filho dos dois - um bebê de 11 anos - dormindo em um dos quartos da casa. Segundo as investigações à época, a mulher morreu em decorrência de várias pancadas na cabeça contra o chão. De acordo com a Justiça, o réu, além de matar a mulher, tentou tumultuar a investigação, tentando conduzir as diligências para um crime de latrocínio.

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