Cidades
ESCOLA SESI DE REFERÊNCIA DESAFIA MODELO TRADICIONAL DE SALA DE AULA
Modelo educacional que privilegia a transdisciplinaridade permite que os jovens circulem livremente por toda a escola
O modelo tradicional de ensino-aprendizagem começa a perder espaço em Alagoas. As mudanças vão da forma de transmissão de conhecimento até a organização da sala de aula. Esqueça aquele espaço em que o professor expõe o conhecimento diante de uma turma que recebe a informação passivamente.
A escola do futuro é desafiadora e posiciona os estudantes como protagonistas na busca pelo conhecimento. No estado, o pioneirismo nessa nova forma de ensinar é do Serviço Social da Indústria (Sesi) que, na última terça-feira (7), inaugurou a Escola Sesi de Referência Robson Braga de Andrade, no Benedito Bentes.
Ela é diferente de qualquer outra escola no estado. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (Fiea), José Carlos de Andrade, explica algumas dessas diferenças. Por exemplo, são os alunos que trocam de sala de aula e não os professores.
As disciplinas são divididas conforme as áreas de conhecimento – Matemática, Ciências da Natureza, Linguagens, Ciências Humanas e Ciências Sociais Aplicadas – e as salas se assemelham a laboratórios, com um design diferente do modelo tradicional e utilizando recursos pedagógicos diferenciados.
Instrumentos musicais, drone, chroma key, notebooks, entre outros recursos, fazem parte do universo de objetos a serviço do aprendizado. A escola tem três pavimentos, Espaço Maker, Arena FTC (robótica) e 16 espaços de aprendizagem ambientados por área de conhecimento.
PROPOSTA PEDAGÓGICA
O modelo educacional que privilegia a transdisciplinaridade permite que os jovens circulem livremente na escola. “Estamos entregando mais do que um prédio bonito. Estamos entregando melhores condições para que os nossos professores desenvolvam o ‘saber fazer’ em nossos alunos, para que as nossas equipes adaptem a nossa proposta pedagógica ao que um mundo em constante mudança exige”, orgulha-se Lyra. A metodologia utilizada pelo Sesi em todo o país é a STEAM. Nela, o estudante é estimulado a refletir sobre problemas reais e a descobrir como solucioná-los na prática, por meios da matemática, ciência, tecnologia e comunicação. Essa busca acaba resultando em projetos pensados pelos próprios jovens. “A gente estimula o aluno colocar a mão na massa, em busca de soluções de problemas do cotidiano”, revela a diretora de Educação e Tecnologia Sesi Senai em Alagoas, Cristina Suruagy.
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METODOLOGIA A 22 ESTADOS
A Escola Sesi de Referência do Benedito Bentes é a segunda do Brasil. A primeira fica em São José dos Pinhais, no Paraná. No total, o Sesi planeja construir 39 escolas com este modelo de ensino-aprendizagem, em 22 estados. Esta meta foi anunciada durante a inauguração pelo presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, que dá nome à unidade de ensino alagoana. O investimento mira a formação de profissionais e cidadãos do futuro, em um mundo que passa por transformações em alta velocidade. “A iniciativa é resultado da sólida experiência da instituição com as melhores práticas pedagógicas e com um modelo de ensino conectado com as demandas da indústria, com os avanços tecnológicos e com as constantes transformações do mundo moderno”, frisou. O presidente da CNI citou ainda os novos currículos do Sesi, baseados numa educação flexível e ousada, adaptável às necessidades dos alunos e às exigências das empresas. O modelo além da sala de aula, explica Robson Braga, ajuda a desenvolver o pensamento crítico, a criatividade e a colaboração.
Essas habilidades são indispensáveis para o mundo do trabalho. “Procuramos implementar processos educativos e tecnologias inovadoras para formar pessoas capazes de atuar em diferentes atividades e, até mesmo, em profissões que serão criadas no futuro”, detalhou Robson Braga.
Esta unidade de ensino deixa Maceió na vanguarda. O diretor de Educação e Tecnologia da CNI, Rafael Lucchesi disse que o Sesi, já reconhecido pela excelência na educação, sai na frente ao buscar um método de ensino-aprendizagem que dialoga com o século 21. “Antes, as rotas tecnológicas passavam por mudanças a cada 80 anos. No mundo atual, essa transformação ocorre de três a cinco anos. Por isso, ninguém mais está formado, o aprendizado continua. Os vencedores do futuro terão que ser protagonistas, num mundo de transformações aceleradas”, concluiu.