Cidades
90% DAS VÍTIMAS DE FEMINICÍDIO NÃO TINHAM FEITO B.O. CONTRA ASSASSINOS
Em 2022, foram 31 casos em Alagoas com todos feminicidas identificados e 27 inquéritos policiais concluídos
Os casos de feminícidios preocupam em Alagoas. E um fato que chama bastante atenção, de acordo com os dados divulgados pela Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP)/AL), é que em 90,32% dos casos, as mulheres não registraram Boletim de Ocorrência (BO) anterior de violência doméstica.
Na última semana, a Segurança Pública divulgou o Relatório do Núcleo de Estatística e Análise Criminal (Neac) que aponta uma redução em 50% dos casos de feminicídios, na comparação entre janeiro de 2022 e janeiro de 2023. Enquanto em janeiro de 2022 foram registrados seis casos de morte violência de mulheres, em janeiro deste ano esse número caiu para três.
Em todo o ano passado foram contabilizados 31 casos de feminicídio no Estado, com todos os feminicidas identificados e 27 inquéritos policiais concluídos. Deste total, 64,52% dos feminicidas encontram-se presos, sendo 38,12% em flagrante; 5% estão foragidos e 6% se suicidaram após o crime.
Apesar da redução, ainda é preocupante o percentual de mulheres que se recusam a registrar as ocorrências e podem pagar com a própria vida. A advogada Júlia Nunes, que é presidente da Associação para Mulheres (AME), entidade que acolhe vítimas de qualquer tipo de violência contra a mulher, lembra que denunciar quando a vítima sofre qualquer indício de violência é capaz de impedir as mortes.
Um dos pontos que a advogada considera crucial é quanto aos sinais que os companheiros apresentam de que algo vem errado no relacionamento. “É preciso que as mulheres fiquem atentas aos sinais desde o início do relacionamento. O homem não bate ou mata na primeira vez. Tudo se inicia pela violência velada, psicológica, quando ele limita a mulher, os seus comportamentos normais, afasta dos amigos e da família, e ela sente medo de falar algo que pensa, tem receio. É preciso perceber e nesse momento colocar um fim na relação, porque se primeiro começa pelo psicológico, o físico é a próxima consequência”, disse.
Júlia Nunes lembra ainda que a promoção de políticas públicas voltadas a educação é fundamental pelo estado. “É preciso investir na educação de base. A legislação ainda é falha porque demora o processo e isso gera uma sensação de impunidade. Por isso é importante que as mulheres, desde pequenas, entendam o machismo e que elas consigam perceber quando vivem um relacionamento abusivo. A morte de uma mulher destrói todos que estão ao seu redor”, finalizou.
A redução do número de feminicídios, avalia o governador, é resultado dos investimentos do Governo no combate aos crimes contra a mulher, a exemplo da universalização das Salas Lilás em todas as unidades dos Centros Integrados de Segurança Pública (Cisps), que contam com equipe multidisciplinar para atendimento diferenciado e mais humanizado às vítimas de violência. O Estado, hoje, contabiliza 48 Cisps instalados e deverão ser implantados mais 60.
“Esses investimentos também ocorrem em Maceió, onde será instalado um Cisp do tipo 3, na parte baixa da cidade, com as Polícias Civil e Militar e o Corpo de Bombeiros trabalhando de forma integrada”, observou o governador. Ele assegurou ainda a interiorização da Patrulha Maria da Penha, programa exitoso da Polícia Militar que garante a proteção das mulheres vítimas de violência e que recebem medidas protetivas.