Cidades
Novo protesto contra aumento de �nibus paralisa Farol e Centro
FÁBIA ASSUMPÇÃO Uma espessa fumaça preta tomou conta das ruas do Centro, ontem de manhã, quando cerca de 300 estudantes queimaram pneus na Ladeira dos Martírios. Foi mais um protesto contra o aumento de 17% nos preços das passagens de ônibus, conseguido pelos empresários na virada do ano por meio de liminar da Justiça. Organizado pelo Comitê Contra o Aumento das Passagens de Ônibus e Pelo Passe Livre ? que reúne diversos partidos e entidades estudantis ? o protesto começou com uma passeata que saiu do Centro Educacional de Pesquisas Aplicadas (Cepa) e provocou um grande congestionamento na Avenida Fernandes Lima e outras ruas do Farol, por onde motoristas tentavam desviar dos manifestantes. O clima ficou tenso quando foi ateado fogo a pneus que estavam guardados dentro de um veículo do Sindicato dos Petroleiros, que acompanhou toda a manifestação. Cinegrafistas da assessoria de Comunicação do prefeito Cícero Almeida, que filmavam a manifestação, foram acusados pelos estudantes de estar agindo como P2 (policiais infiltrados como se fossem da imprensa) e de portarem armas. Já os assessores do prefeito alegavam que a manifestação foi organizada por partidos políticos que fazem oposição ao prefeito sem a participação de estudantes, apesar de muitos estarem com fardas de escolas públicas. O protesto terminou na porta do Tribunal de Justiça de Alagoas, onde os estudantes foram cobrar do presidente, desembargador Washington Luís, uma posição sobre o julgamento da liminar concedida aos empresários pelo juiz Kléver Loureiro, no dia 31 de dezembro do ano passado, que elevou o preço das passagens de R$ 1,25 para R$ 1, 45. Durante todo o percurso da passeata, do Cepa até o TJ, veículos da Polícia Militar e da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) acompanhavam os manifestantes. Mesmo quando os estudantes decidiram queimar os pneus na Ladeira dos Martírios, não houve intervenção da polícia. Por causa da manifestação, muitos passageiros de ônibus tiveram que andar vários quarteirões e descer a pé a Ladeira dos Martírios para chegar ao Centro. Na Rua do Comércio, centenas de passageiros ficaram à espera dos ônibus, que estavam retidos no congestionamento formado em toda a Fernandes Lima até a manifestação acabar. Mesmo quem é a favor do movimento dos estudantes pela redução no preço da passagem discordava da forma de organização da manifestação. ?Eles podiam tomar só metade da pista, porque acaba prejudicando quem não tem nada a ver com a história?, comentou um funcionário da Secretaria Municipal de Saúde.