Cidades
Carga foi achada em acampamento
Cícero Amaro da Silva, 18 anos, conta que participou do saque de ontem e diz que grande parte das cargas é vendida para comerciantes. ?Quando eles sabem que a gente fez algum saque vêm ao acampamento e compram da gente?. O inspetor Roberto Agra, da Polícia Rodoviária Federal, confirma a informação da venda de cargas roubadas pelos sem-terra. ?Temos indícios de que comerciantes realmente compram cargas roubadas nesta área. Mas ainda não flagramos a transação. Hoje [ontem], segundo informações, haveria também saques em caminhões que transportavam arroz e feijão?, afirma o inspetor Agra. Após ter sido obrigado a parar o caminhão na BR-101, onde os sem-terra fizeram barricadas usando troncos e pedras, por volta das 9 horas, o caminhoneiro José Alves da Costa Filho, conhecido como Messias, foi coagido a entregar as chaves para que os sem-terra abrissem o baú do veículo e retirassem as 12 toneladas de café da marca Santa Clara. Sem a carga, José Alves foi à Delegacia de Messias e deu queixa do roubo. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) foi acionada e os policiais foram ao acampamento, onde encontraram a carga. O delegado de Flexeiras, Rodrigo Rubiale, e três policiais civis que passavam pelo local pararam para dar apoio aos policiais rodoviários. Os capitães da Polícia Militar Casado e Goulart, que trabalham no Gerenciamento de Crises, foram chamados e negociaram com os sem-terra a devolução da carga. Por volta do meio-dia, os sem-terra resolveram devolver a carga e colocaram os sacos de café de volta no caminhão. De acordo com o capitão Goulart, quase toda a carga foi recuperada. Ninguém foi preso. Excluídos Os sem-terra envolvidos no saque da carga de café afirmaram pertencer ao Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) e colocaram uma bandeira do movimento nos sacos de café saqueados. Mas um dos coordenadores nacionais do MLST, Josival Oliveira, que participou até ontem do II Encontro Estadual do Movimento, na Ufal, garante que estes sem-terra foram expulsos do MLST. ?Este roubo foi um ato isolado e não tem nada a ver com o movimento. Não pregamos este tipo de ação. Há alguns meses eles roubaram duas bandeiras nossas e devem estar utilizando essas bandeiras para dizer que são do MLST?, garante Josival.