Cidades
CASO SINÉZIO: CORPO ENCONTRADO ÀS MARGENS DA LAGOA É DO ESTUDANTE
Vítima de execução, jovem respondia na Justiça por assassinato ocorrido há 11 anos em Maceió
O corpo encontrado às margens da Lagoa Mundaú, no bairro do Pontal da Barra, em Maceió, nesse sábado (4), é do estudante de direito Sinézio Ferreira da Silva Júnior, que estava desaparecido há mais de 15 dias.
Exame cadavérico constatou que a vítima estava com as mãos amarradas e foi executada com tiro na parte de trás da cabeça, com saída na região do olho.
A confirmação de que o cadáver é do homem de 33 anos foi dada neste domingo (5) pelo delegado que investiga o caso, Igor Diego, coordenador da Divisão Especial de Investigação e Capturas (Deic).
O corpo foi localizado por um pescador, apresentava afundamento na região do crânio e vestia camisa, calça e tênis, além de um agasalho preto. Ele estava em avançado estado de decomposição.
Após o achado do corpo, a família de Sinézio Ferreira foi informada pelas autoridades policiais e seguiu para o Instituto Médico Legal (IML) para realizar o reconhecimento do corpo ainda na tarde do domingo.
Segundo a perita odontolegista Claudia de Melo Ferreira, o cadáver foi identificado através do exame odontolegal. A arcada dentária do corpo encontrado foi analisada e comparada com uma radiografia panorâmica da arcada dentária da vítima desaparecida, fornecida pela família, que permitiu a realização do exame e a confirmação da identidade oficial.
Sinézio sumiu no dia 15 de fevereiro deste ano, quando saiu de casa no bairro da Serraria, parte alta de Maceió, para encontrar um amigo no bairro do Benedito Bentes, no intuito de pegar um chip de celular.
Sinezio teria usado uma motocicleta para ir até o local e desde então estava sendo procurado pela família e pela polícia. Buscas chegaram a ser realizadas em área de mata, na Região Norte.
A motocicleta do estudante foi encontrada na última sexta-feira (3), em um rio, no bairro Saúde, região Norte da capital.
O desaparecimento de Sinezio Ferreira, segundo a polícia, tem relação direta com a atuação de uma facção criminosa responsável por homicídios e pelo tráfico de drogas em bairros do Litoral Norte de Maceió.
VÍTIMA RESPONDIA POR HOMICÍDIO
Tramita no Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL) o processo de número 0849644-49.2017.8.02.0001 que pronunciou o líder comunitário e estudante Sinézio Ferreira da Silva Júnior pelo crime de homicídio ocorrido há mais de 10 anos. Conforme os autos do processo, o estudante respondia a um processo pelo crime de homicídio ocorrido em Maceió, em 2012, tendo sido levado a júri popular pelo Poder Judiciário. O crime atribuído a Sinézio como suposto mandante aconteceu no dia 15 de setembro de 2012, por volta das 19h30, na Rua São José, próximo a uma quadra de esportes, no bairro de Ipioca, na região norte de Maceió. Os autos descrevem que Paulo Henrique dos Santos foi vítima de homicídio, atingido por diversos disparos de arma de fogo. Consta no processo que a vítima estava no Bar do Lielson e, ao sair do local, levou um tiro na perna. A vítima ainda tentou correr, mas acabou caindo mais à frente, quando foi atingida por diversos disparos de arma de fogo, vindo a falecer no local do fato. Para o Ministério Público, Sinézio havia jurado a vítima de morte e que, por isso, teria contratado dois indivíduos para executar Paulo Henrique. Logo após o crime, ele teria ligado para os executores e perguntado “se já haviam feito o serviço”, além de, no dia em que a vítima estava sendo velada, ele teria afirmado que iria comprar uma pizza para poder comemorar a morte de Paulo Henrique. Por isso, Sinézio foi acusado pelo crime e estava respondendo na Justiça, com a confirmação de ir a júri popular. O julgamento, no entanto, não havia ocorrido até então, em virtude de recursos interpostos.
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O motivo do crime, conforme investigação, seria em razão da existência de uma rixa decorrente de uma discussão entre Paulo Henrique e o denunciado, por causa de uma bicicleta emprestada do padrasto de Sinézio. Esse pode ser um elemento importante a ser considerado pela investigação. O inquérito corre em segredo de Justiça.
A Divisão Especial de Investigação e Capturas (DEIC) foi procurada para falar sobre a ligação dos crimes, mas se negou a comentar o caso, alegando que passará informações ao final do processo investigativo.