Cidades
Adolescentes tentam fugir da marca do polegar e assinar o pr�prio nome
Os problemas estruturais das escolas da rede municipal de ensino de Palestina são visíveis a olho nu. Em muitas unidades, as paredes estão com fissuras e rachaduras, com estrutura comprometida, e colocam em risco a segurança dos estudantes. O lixo toma conta das salas de aula, além de animais e morcegos que fizeram das escolas morada. De acordo com o secretário de Educação de Palestina, Gilvan Ferreira, o município precisaria de R$ 15 mil só para recuperar todas as carteiras escolares que se encontram danificadas e amontoadas no galpão da Prefeitura Municipal. Na única creche do município, a situação também é crítica. A cozinha não tem água encanada e os banheiros não oferecem a mínima condição de higiene, enquanto na sala de aula os morcegos também assustam e colocam em risco a saúde das crianças que freqüentam a creche. A falta de estrutura física em algumas escolas do município de Palestina acaba contribuindo para um quadro de repetência e de abandono dos estudos por parte das crianças e adolescentes. Dos 68 professores da rede, apenas 30% estão aptos a exercer a função. Marca do polegar Um exemplo da carência na rede municipal de ensino de Palestina é o da estudante Gileide dos Santos, uma menina de apenas dez anos, que, apesar de freqüentar esporadicamente a escola, ainda não sabe ler ou escrever e que, apesar das dificuldades impostas pela vida, ainda sonha em um dia ser médica e não ter que usar a marca do polegar como sua assinatura. Por faltar às aulas, muitas vezes para poder ajudar a família, cuidando dos irmãos menores, vem repetindo a mesma série há dois anos. ?O primeiro sonho é saber escrever meu nome inteiro e depois, no futuro, ser doutora. Tem dia que eu não tenho como ir à escola porque tenho que cuidar dos meus irmãos, enquanto a minha mãe vai trabalhar na roça?, disse a menina pobre que sonha com dias melhores. ?Muitas vezes não tenho o que dar de comer ou vestir a minha filha para ela ir estudar?, disse a mãe de Gileide, Tânia Santos. Um outro exemplo da falta de estrutura no setor educacional de Palestina para atender à demanda educacional da população vem da estudante Valdirene Lima Martins, de 19 anos, que abandonou os estudos ano passado. ?Eu era a única adulta na sala de aula da quarta série. Por isso desisti de ir à escola?, acrescentou a adolescente que, apesar da idade avançada para a série, ainda alimentava o sonho de estudar e de ter um futuro melhor.