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Incra apura amea�as contra acampados em �gua Branca

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A Comissão Pastoral da Terra (CPT) denunciou ontem que cerca de 150 famílias acampadas na fazenda Chupete, localizada em Água Branca, no sertão de Alagoas, estão sendo vítimas de perseguição e ameaças de morte. Desde o dia 1º de novembro do ano passado, as famílias permanecem no local, ocupando uma área com mais de mil hectares. Segundo o Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a terra deverá ser adquirida pelo governo federal para fins de reforma agrária em acordo livre de compra e venda. Conforme as denúncias da CPT, confirmadas pelo ouvidor agrário do Incra em Alagoas, Valdevan Raimundo dos Santos, no último domingo, 16, Renato Gonçalves da Silva, conhecido como Renato Boi, proprietário de terras vizinhas à fazenda, abriu a porteira que divide as áreas possibilitando a entrada de 100 cabeças de gado no acampamento. Em seguida, arrebentou as cercas de arame farpado que isolam o açude utilizado pelas famílias, permitindo o acesso dos animais. Após protesto dos trabalhadores o gado foi retirado, mas as ameaças continuaram. Renato Gonçalves teria se dirigido a um dos acampados, Manoel Messias dos Santos, dizendo não poder fazer nada dentro da fazenda Chupete, mas que fora dela poderia ?encher a sua boca de bala?. De acordo com o ouvidor agrário do Incra, o proprietário da fazenda Chupete não tem ligação com os atos praticados por Renato Boi. ?Desde a ocupação feita pela CPT, em novembro passado, estamos negociando com o proprietário da fazenda a aquisição da área sem grandes problemas?, afirma Valdevan. Em depoimento ao delegado do 2° Distrito Policial de Água Branca, Jéferson Carlos Matos, os trabalhadores relataram o fato e esperam providências. A denúncia foi encaminhada também para a Ouvidoria Agrária Nacional, Secretaria de Segurança Pública, Centro de Gerenciamento dos Direitos Humanos da Polícia Militar, Secretaria dos Direitos Humanos do Governo Federal e a Superintendência do Incra em Alagoas. ?Este é um fato isolado. Fizemos contato com a polícia para que apurasse o caso. Não compactuamos com a violência, não vivemos num faroeste?, diz o ouvidor Valdevan dos Santos. Na próxima segunda-feira, 24, haverá uma reunião com representantes do Incra, da fazenda Chupete, da CPT e da Polícia Militar para definir o acordo de aquisição da terra, dando posse definitiva aos trabalhadores. (CS)

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