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Nº 5751
Cidades

Morador de rua � levado por dois homens, torturado e morto a tiros

Um morador de rua identificado apenas como Luiz Carlos foi arrastado da Praça da Faculdade, no Prado, torturado num terreno baldio próximo ao prédio da TIM, na Praia da Avenida, e executado com um tiro de revólver calibre 38 no ouvido. O crime ocorreu na

Por | Edição do dia 22/01/2005 - Matéria atualizada em 22/01/2005 às 00h00

Um morador de rua identificado apenas como Luiz Carlos foi arrastado da Praça da Faculdade, no Prado, torturado num terreno baldio próximo ao prédio da TIM, na Praia da Avenida, e executado com um tiro de revólver calibre 38 no ouvido. O crime ocorreu na madrugada de ontem. Luiz Carlos, 19, havia acabado de chegar de uma discoteca, onde costumava tomar conta de carros, e se deitou num velho sofá, debaixo de uma árvore da antiga Praça da Faculdade. Ele estava conversando com um amigo, identificado como Josivaldo, 18, quando chegaram dois homens, um deles armado com um revólver tipo TA (cano longo), que o mandaram levantar. A companheira de Luiz Carlos, Joseane dos Santos, 19, grávida de cinco meses, assistiu quando a vítima foi levada pelos matadores. “Cada um dos homens chegou de um lado. Eles colocaram a arma na cabeça do Luiz e mandaram: ‘Levanta’!”. Segundo a mulher, o com-panheiro ainda tentou perguntar o que tinha feito. Mas os homens, que não se identificaram, pegaram o rapaz e saíram arrastando-o pela camisa. A 100 metros da praça, Luiz Carlos começou a ser surrado; ele tentou resistir e gritar por socorro. “Eles pegaram um fio de eletricidade e amarraram meu marido pelos punhos”, contou Joseane. “Ninguém podia se aproximar. Havia outros moradores de rua aqui, mas não puderam fazer nada para evitar que levassem ele”, protestou ela, acrescentando que “o Luiz não teve nenhuma chance de escapar dos bandidos”. Forte e baixinho Joseane lembra bem como eram os dois homens. “Um era forte, baixo, de bigode. O outro era baixinho, usava chapéu e também tinha bigode. Era o baixinho quem estava com o revólver niquelado e apontou para a cabeça do Luiz”, esclareceu ela. A moradora de rua destacou que Luiz Carlos passou cerca de duas horas vivo nas mãos dos assassinos, apanhando e gritando por socorro. “Passava das duas horas da madrugada quando nós ouvimos tiros. Pela manhã, um vigia veio dizer que o rapaz que vivia comigo tinha sido morto num terreno perto da TIM. Fui até lá e vi que ele tinha um tiro no ouvido”, relatou ela. Joseane dos Santos contou que há três anos veio de Garanhuns (PE) para Maceió, com algumas amigas meninas de rua. Conheceu Luiz Carlos no Centro, gostou dele e decidiu que iria ficar em Alagoas. “Tenho família em Pernambuco. Pai, mãe e um avô que cuida do sustento da casa. Mas é tudo com muita dificuldade. São pessoas muito pobres. Foi por isso que decidi vir embora”, continuou ela. Guardava carro “Ele sempre trabalhou lavando e tomando conta de carros. Assim, não me preocupei quando fiquei grávida. Tenho uma filha dele, de dois anos. Nunca faltou o que comer. A gente fica com fome, mas a menina tem comida todo dia”, disse. Por isso, também não ficou preocupada com a vinda de um segundo filho do casal. “O Luiz nunca matou, nunca roubou, nem se meteu com drogas. Não sei por que fizeram isso com ele. Meu marido não merecia um fim assim. Somos pobres, moramos na rua, mas nunca cometemos crime. Será que é crime não ter onde morar?”, questionou ela. “Só se o jeito que nós vivemos é problema para outras pessoas”, completou.

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