Cidades
Incra n�o atinge meta da reforma agr�ria em AL
FERNANDO COELHO Há 20 anos, quando os trabalhadores rurais brasileiros deram os primeiros passos para a organização de um movimento que representasse a luta pela ocupação de terras improdutivas, não se imaginava o amplo contorno que suas ações ganhariam no futuro. Conquistando novos aliados e velhos inimigos, a luta pela reforma agrária passou a estampar as manchetes dos noticiários, geralmente, de maneira negativa. O Movimento dos Sem Terra (MST), principal ícone da categoria e atualmente presente em 23 estados brasileiros, teve sua imagem estigmatizada e associada a um clima de tensão semeado por invasões, conflitos, falsos líderes e muitos protestos. Em Alagoas, a situação não foi diferente. Com quatro forças atuantes ? Movimento dos Sem Terra (MST), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) e Movimento Terra Trabalho e Liberdade (MTL) ?, o Estado abriga atualmente cerca de 9 mil famílias distribuídas em acampamentos pelo interior e mais 6.036 assentadas, ou seja, que estão em terras regularizadas. Elas estão distribuídas em 38 municípios, sendo Maragogi o líder, com 14 assentamentos. Ao todo, 52.878 hectares de terra já foram destinados a assentamentos. Fato incontestável, a reforma agrária representa muito mais que um compromisso de governo. É uma necessidade vital para o desenvolvimento de um país com dimensões continentais e imerso no caldeirão gigantesco da desigualdade social. MST No início de 2003, o governo federal elaborou o II Plano Nacional de Reforma Agrária. O documento prevê que 400 mil famílias estarão assentadas em todo o país até 2006. No balanço do Ministério do Desenvolvimento Agrário, apenas 44% da meta de 115 mil famílias foi atingida em 2004. Para Alagoas, o número estipulado é de 3 mil famílias a cada ano. Segundo o relatório da Superintendência Regional do Incra, em 2004, 1.934 famílias foram assentadas em 14.720 hectares de terra. O número ficou abaixo da meta, mas é bem superior ao de 2003, quando apenas 70 famílias receberam os títulos das propriedades. Mesmo assim, o MST contesta os dados. ?Esse número não é verídico. Não chegou nem a 800 famílias?, diz José Roberto da Silva, coordenador estadual do movimento. ?Sabemos que existe um grande interesse da Superintendência Regional do Incra e de sua equipe para dinamizar o processo da reforma agrária, mas não podemos ignorar que a meta não foi cumprida?, ressalta Marcos Antônio da Silva, coordenador estadual do MLST.