Cidades
Rodovi�rios temem riscos e exigem seguran�a
FERNANDO COELHO Em tempos em que as viagens nos coletivos, de um modo geral, deixaram de ser seguras, o medo de assaltos muda também o hábito de motoristas e cobradores nos longos itinerários que cruzam a cidade. Alguns condutores guiam as linhas do corujão há muitos anos; outros são novatos ou recém-transferidos, mas a maioria absoluta tem em comum o desejo de permanecer na profissão. A função tem sete dias de trabalho para um de descanso e, mesmo com o adicional noturno, o salário de um motorista não chega a R$ 700. Já a remuneração dos cobradores não ultrapassa os R$ 500. A principal reivindicação da categoria é o reforço da segurança. ?Até a época das eleições nós tínhamos segurança, mas depois tiraram os policiais. Ficamos à mercê dos bandidos?, reclama o motorista Luiz Diniz. Além de guiar o veículo com precaução, o motorista precisa lutar contra o sono e lidar com o temperamento intempestivo de alguns passageiros. ?É comum pegarmos bêbados e pessoas que não têm o dinheiro completo da passagem. Eles fazem muito barulho e tentam arrumar confusão?, relata o motorista Jorge Oliveira. Há 11 anos como rodoviário, Luiz Diniz conduz a linha Benedito Bentes-Ponta Verde há três anos. Vítima de um assalto na última semana, afirma sem receio: ?É mais complicado do que fazer o turno normal, de dia?. Wellington Silva foi a outra vítima. Há apenas quatro meses como cobrador e em seu primeiro emprego com carteira assinada, relata o caso. ?Dois caras subiram no ônibus e deram voz de assalto com a arma na mão. Eles me levaram o celular e 50 reais da renda?, lamenta. Jorge Oliveira é mais contundente. Há um ano e seis meses como motorista no corujão, já foi assaltado duas vezes. ?Se acontecer um dia de um motorista dar um tiro em um ladrão, ele é processado, perde a carteira, perde o emprego, perde tudo?. Jorge diz que, se pudesse, mudava de profissão. Os tripulantes não têm escolha. Segundo a categoria, é a empresa que determina quem será transferido para o corujão. Já a ala mais moderada não vê tantos problemas. ?Apesar dos riscos, no corujão nós não ficamos tão cansados como nas linhas de dia?, diz Genivaldo Dias, há um mês na rota Benedito Bentes-Trapiche. Já Roberto Wagner, do Joaquim Leão-Ponta Verde, alega que os riscos são os mesmos, seja durante o dia ou à noite.