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BNB: BANCÁRIO DEMITIDO NA DITADURA É REINTEGRADO
Aos 83 anos, o bancário Petrúcio Lages conseguiu na Justiça o direito de ser reintegrado ao Banco do Nordeste, pela terceira vez. Diretor do Sindicato dos Bancários de Alagoas, ele foi demitido pelos militares em 1964 (durante a ditadura) e, desde 2016, enfrenta uma batalha jurídica pelo retorno ao emprego.
A reintegração dele foi comemorada com um ato político na Agência Centro do Banco do Nordeste de Maceió. Acompanhado de dirigentes sindicais, de membros do Comitê Memória, Verdade e Justiça de Alagoas e representantes de organizações políticas, Petrúcio Lages, também conhecido como “O bancário que não se rende” (documentário disponível no Youtube), ele agradeceu a vitória de retornar ao trabalho.
“Fui perseguido, preso, humilhado, demitido sem direito à defesa. Porque me exilei, consegui sobreviver e posso contar a história de uma noite de horror que se abateu sobre nossa nação por 21 anos”, disse o sindicalista, que foi preso em abril de 1964, acusado de “subversivo” por ter participado da greve em 1963, que conquistou equiparação salarial e outros benefícios com o Banco do Brasil.
“Volto com muita alegria, depois de mais uma sofrida batalha, enfim vitoriosa, pelas mãos zelosas da Justiça do Trabalho, numa brilhante decisão do digníssimo desembargador dr. João Leite, que, em notável sentença, decidiu pela minha reintegração provando que vale a pena os trabalhadores, como eu, lutarem por seus direitos, resistirem ao arbítrio, às injustiças e ao autoritarismo”, discursou o bancário.
A disputa jurídica pela reconquista do emprego começou ainda em 1990, quando Petrúcio buscou, pela primeira vez após o fim da ditadura, retornar ao Banco por meio administrativo. Com a negativa, em 1992, entrou com ação na Justiça do Trabalho.
A primeira decisão favorável aconteceu em um novo processo impetrado em 2007 e só julgado em 2016, quando o alagoano já tinha completado 76 anos. Mesmo assim, em 2020, o banco voltou a demitir o bancário. De imediato, o Sindicato dos Bancários de Alagoas entrou com nova ação na Justiça.