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DESINFORMAÇÃO DESENCORAJA IDOSOS A SE VACINAREM COM A BIVALENTE

Apesar do esforço dos governos para estimular vacinação, fake news atrapalham avanço da imunização

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Um dos grupos mais vulneráveis à Covid-19, os idosos também são os mais suscetíveis à desinformação acerca da vacina contra o vírus que parou o mundo em 2020. Mesmo depois de mais de três anos de pandemia, as chamadas fake news continuam se espalhando, com histórias falsas sobre pessoas que tiveram supostas reações adversas após a vacinação. Agora, quando os governos fazem um esforço para convencer a população a dar continuidade ao calendário de vacinação que salvou milhões de vidas nos últimos anos, voltam a circular notícias falsas sobre a imunização, principalmente em grupos nas redes sociais WhatsApp e Telegram.

Maria da Conceição tem 59 anos e mora em Viçosa, no interior de Alagoas. Ela conta que usa o WhatsApp todos os dias, tanto para falar com as irmãs quanto com os filhos, que moram em outro Estado. Não raro, ela recorre ao filho mais velho para saber se uma notícia é falsa ou verdadeira.

“Meus filhos me alertam muito sobre isso, mas eu acabei compartilhando uma história falsa, sem saber que era falsa, porque foi um compadre meu quem me passou, dizendo que conhecia a pessoa da história”, conta a senhora.

A história compartilhada no grupo da família de Maria da Conceição é uma notícia falsa sobre uma suposta morte ligada à vacinação com a dose bivalente contra a Covid-19. De acordo com um áudio amplamente compartilhado no WhatsApp e obtido pela reportagem, um homem teria morrido 15 dias após tomar a vacina, em decorrência da bivalente, vítima de um câncer no cérebro. Obviamente, a notícia não procede.

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Em março deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou uma nota em que atesta a segurança das vacinas bivalentes. “As vacinas são seguras, eficazes e podem ser utilizadas pelo Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, conforme os estudos de estabilidade avaliados e aprovados pela Agência”, garante a diretora Meiruze Sousa Freitas.

O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, explica que a dose bivalente mantém a estrutura da cepa original e inclui também a ômicron, uma das diversas variantes que surgiram depois e a dominante na circulação da doença no mundo atualmente. “Isso faz com que amplie a proteção inclusive para futuras variantes que possam surgir”, afirma o médico.

Vicente Correia, psicólogo 29 anos, diz que ainda luta para convencer a mãe, de 62 anos, a se vacinar com a dose bivalente em Maceió. No final do mês passado, mais um áudio recebido em um grupo no Telegram a fez ter ainda mais dúvidas sobre a segurança da vacina, que já foi aplicada em milhões de pessoas ao redor do mundo, sem nenhum tipo de intercorrência.

“O áudio diz o seguinte: olhe, preste atenção, fale com seus filhos, com a sua família, para que tenham cuidado com essa nova vacina bivalente, me mandaram um áudio de uma doutora e pediram para espalhar. Essa vacina é fatal, quem tomar essa vacina vai morrer instantaneamente. Esse pessoal da primeira ordem mundial é que está espalhando isso aí para eliminar muita gente. A doutora mandou avisar para não tomar e também não deixar ninguém da família tomar”, conta o jovem.

Diante da negativa da mãe sobre a imunização após ouvir o áudio, o psicólogo resolveu se vacinar primeiro, uma maneira de provar que a vacina é segura. Segundo ele, a idosa pretende, finalmente, permitir a aplicação da bivalente neste sábado (13).

BAIXA ADESÃO

Das 262.694 pessoas esperadas pela Secretaria Municipal de Saúde de Maceió (SMS) para a imunização contra a Covid-19 com a vacina bivalente, apenas 33.217 tomaram a vacina até o início desta semana. O número é considerado baixo e corresponde a apenas 12,65% da população, que deveria já ter tomado a dose.

A imunização bivalente é destinada àqueles que já completaram o esquema básico de vacinação contra a covid19 ou quem já recebeu uma ou duas doses de reforço. O intervalo entre a dose mais recente deve ser de quatro meses. Quem ainda tem doses em atraso pode se vacinar contra a Covid-19 nas unidades básicas de saúde.

“As pessoas que ainda não receberam as duas doses iniciais das vacinas Pfizer, Astrazeneca, Coronavac e Janssen precisam primeiramente completar esse esquema primário com as duas primeiras doses para ter acesso à bivalente”, destaca a gerente de Imunização de Maceió, Eunice Amorim.

A vacinação segue sendo a estratégia mais eficaz contra Covid-19 e é, de acordo com especialistas, um esforço que só funciona coletivamente. Ou seja, quanto mais pessoas imunizadas, menor a probabilidade de surtos locais e mais enfraquecido fica o vírus que causa a doença.

A vacinação contra a Covid-19 continua disponível nas unidades de saúde de Maceió e do interior de Alagoas. Na capital, os locais de vacinação podem ser conferidos no site Vacina Maceió.

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