Cidades
EMERGÊNCIA GLOBAL: AL TERMINA COM MAIS DE 7 MIL MORTOS PELA COVID
Após três anos da pandemia, Alagoas registrou mais de 338 mil casos; médicos destacam o papel da ciência para controlar a doença
Já no início de 2020, o mundo passou a viver um dos momentos mais difíceis de todos os tempos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou emergência sanitária e a pandemia do novo coronavírus fez governos de todos os países tomarem medidas drásticas para evitar que mais mortes ocorressem por conta da doença, que passou a ser chamada de Covid-19. De lá para cá, somente em Alagoas, foram 7.265 mortes e 338.899 casos.
Isolamento social, uso de máscaras, fechamento de estabelecimentos comerciais, proibição de realização de eventos de qualquer natureza, restrições nos acessos fronteiriços foram algumas das ações necessárias para atender a emergência global.
Três anos depois, a OMS declarou o fim da emergência global da Covid-19 na última semana. Conforme explicam os infectologista Fernando Maia, isso significa que todas essas medidas excepcionais não são mais necessárias para combater a doença. Entretanto, eles alegam que a pandemia continua e, assim como ela, a necessidade de vacinação e dos cuidados preventivos.
"A OMS declarou o fim da emergência sanitária, mas não decretou o fim da pandemia. São coisas diferentes. A emergência sanitária é quando se justificam tomar medidas excepcionais para combater uma doença, por exemplo, isolamento das pessoas, vacinação em massa, desenvolvimento de novas vacinas e etc", explica o médico infectologista Fernando Maia.
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Quem viveu na linha de frente da pandemia desde o início foi a enfermeira Kelyana Soares de Souza, de 37 anos. Na profissão há mais de sete anos, ela não imaginava que iria presenciar momentos tão angustiantes como aqueles em que precisou atender os pacientes com covid-19, que chegavam em massa a um dos principais hospitais de Alagoas.
"Quase nada sabíamos sobre a doença e tínhamos que nos proteger do jeito que dava, e as pessoas que precisavam. O medo tomou conta de mim e de todos,vivi um turbilhão de sentimentos, porque sabia que vinha uma grande missão pela frente, junto com a equipe, de salvar o maior número de vidas. Foram plantões muitos difíceis, de exaustão física e emocional. Muitas vezes com dificuldade para respirar, provocada pelo uso de EPi's", relata a enfermeira.
Ela lembra que, como forma de prevenção, teve que ficar longe da família. "Foi um tempo de diferentes desafios, tanto pessoal como profissional", conta a enfermeira.
Alagoas registrou em 2020 mais de 116 mil casos da Covid-19, com 2.743 mortes. Em 2021, o número de pacientes positivados saltou para mais de 127 mil, assim como a quantidade de mortes: 3.750 óbitos. Já em 2022, houve uma considerável redução, tanto de casos, como de pessoas que não resistiram à doença: foram 93.543 testes positivos para a covid-19 e 733 pessoas que não sobreviveram aos sintomas. De janeiro a maio de 2023, são 1.889 casos e 39 óbitos.
NÃO ESTÁVAMOS PREPARADOS PARA UM EVENTO DESSA MAGNITUDE
O infectologista de Alagoas Renee Oliveira faz uma retrospectiva do enfrentamento da doença. "Não estávamos preparados para um evento dessa magnitude. Não tínhamos a menor ideia de como trabalhar, agir diante dessa situação. Fomos aprendendo na medida que a pandemia avançou", conta.
Diz-se que são nas dificuldades que se tiram os melhores aprendizados. Do ponto de vista da saúde pública, o especialista afirma que as equipes médicas hoje estão mais preparadas para adversidades do que em 2018, 2019, anos que antecederam a pandemia. "Precisamos levar em consideração outras situações futuras, com certeza acontecerão. Surgirão novos patógenos e agora nós sabemos que temos condições de trabalhar esse tipo de situação. Isso foi uma lição que tiramos e, graças a situação atual, de conhecimento científico, foi possível a produção de vacinas em um tempo curto", comenta.
Para o infectologista Fernando Maia, todas as medidas excepcionais tomadas contribuíram no combate à pandemia. "O grande avanço que posso destacar é a vacinação”.
"A medicina é uma ciência que cresce em situações de adversidade, em situação de pandemia. E houve esse crescimento importante da medicina. Em tempo recorde conseguiu produzir vacinas efetivas contra a Covid. Foi a vacinação que permitiu que a gente voltasse a nossa vida normal. Foram testadas novas drogas ou novos tratamentos, houve grandes avanços importantes no diagnóstico e tratamento da doença. Não conseguimos evitar todos os casos, mas manejar melhor a doença. Tanto é que hoje é menos provável você morrer de covid, do que era há três ano" conclui Fernando Maia.
Em Alagoas, foram aplicadas 6.792.938 doses de vacina contra a Covid-19, sendo que, desse total, 2.661.874 foram da 1ª e 2.320.707 foram da 2ª dose. E as demais para a 3ª dose, dose única, doces de reforço e adicionais. O estado começou a usar a vacina bivalente. Já foram aplicadas 135.834 doses.
Assim, a Secretaria de Estado da Saúde defende que a vigilância deve continuar ativa, não só pelas autoridades e técnicos, como pela população. .