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MOTORISTAS DE APP RELATAM DIFICULDADES EM MANTER A PROFISSÃO

Lidar com concorrência de outras categorias e também a insegurança tem tornado a vida dos profissionais ainda mais desgastante

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Encarar o dia a dia da profissão de motorista de aplicativo tem sido cada vez mais difícil. Manter o trabalho em meio ao aumento de itens essenciais e lidar com a concorrência de outras categorias e também a insegurança, tem tornado a vida dos profissionais ainda mais desgastante. A Associação Dos Motoristas Por Aplicativo Do Estado De Alagoas (AMPAEAL) estima que existam aproximadamente 40 mil motoristas por aplicativo atuando em Alagoas. De acordo com Alex Félix, presidente da Associação, nos últimos tempos, a concorrência com outras formas de transporte de passageiros por aplicativo tem sido desafiador para a categoria.

“Hoje a concorrência é grande para todo mundo, o mercado é o mesmo e agora as empresas estão oferecendo o serviço de motoristas através de moto. O que era difícil, ficou pior ainda porque as corridas de moto são metade do preço pago no carro. Se parar para analisar que o preço que os motoristas ganham é pouco e ainda concorrer com a moto onde o passageiro paga a metade do valor que o motorista recebe na corrida de carro, é complicado. Muita gente que andava conosco passou para moto”, explica.

Além disso, os motoristas de aplicativo enfrentam a concorrência com táxi lotação e táxi comuns que estão no mercado. O presidente destaca que a situação piora porque os valores repassados aos profissionais não são reajustados pela plataforma há um tempo, mesmo que o valor cobrado aos passageiros tenha aumentado. “Está muito difícil trabalhar com esses valores, a manutenção dos carros aumentou, de modo geral tudo aumentou e o repasse não, apesar de aumentado para os passageiros. São mais segmentos dentro do sistema e sem esse reajuste, entrando mais uma categoria no mercado, fica difícil de trabalhar como motorista de aplicativo. Muitos profissionais estão desistindo, procurando outros empregos e tendo o aplicativo como uma renda extra”, frisou.

A AMPAEAL tem se preocupado com a segurança dos motoristas de aplicativo desde que alguns motoristas foram vítimas de homicídios e tentativa de homicídios na capital alagoana. Desde então, os motoristas passaram a contar com um sistema de monitoramento e rastreamento 24 horas. No entanto, por ser um serviço pago, alguns profissionais não tem conseguido arcar com o custo extra.

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“A questão da segurança ainda é preocupante, por isso lançamos esse sistema de monitoramento. Hoje, o que a gente precisa é que os motoristas venham a aderir ao sistema, no valor de R$60, que é para a manutenção da empresa parceira da associação e da Segurança Pública. Fora isso, alguns trabalham com compartilhamento de viagens com amigos e aplicativos de tempo real que também ajudam na segurança. Quando o motorista aciona o sistema, as informações chegam a central, que encaminha para a segurança pública e de pronto, as viaturas abordam o veículo”, explicou. A categoria também aguarda pela isenção do IPVA ( Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores), lei proposta pelo governador Paula Dantas e aprovada na Assembleia Legislativa, mas que ainda não está valendo para os motoristas de aplicativo. Para ser colocada em prática, as empresas às quais eles são cadastrados para trabalhar, precisam realizar um credenciamento junto ao Governo do Estado. O que ainda não ocorreu. “Temos a lei aprovada onde os mototaxistas já recebem a isenção do Governo do Estado e estava na pendência das empresas enviarem a documentação, mas isso não deve ter acontecido até a data limite (31 de março) e estamos correndo atrás desse benefício”, disse. O motorista Afrânio Jorge atua dentro de duas plataformas de corridas há três anos. Ele disse que o dia a dia da profissão é bastante difícil por conta, principalmente, dos preços altos do combustível e o medo da insegurança. “Só de sair de casa nós já temos o custo da gasolina, fora a manutenção do carro que é cara. Trabalho cerca de 12 horas ou mais por dia para dar conta de pagar as despesas de casa, desde que saí do meu trabalho como porteiro, ainda na pandemia. Não é fácil, mas é tudo que tenho agora. Todos os dias peço para voltar para casa em segurança”, relata. “Eu tive que me dotar de estratégias para garantir minha segurança, como escolher o tipo de corrida que pego, o destino final, não pego passageiro com outro perfil que não seja o mostrado no aplicativo e evito rodar de madrugada. Mas, aquele tempo violento passou e estou mais confiante”.

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