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Viol�ncia afasta carnaval de tr�s munic�pios

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FÁTIMA ALMEIDA Dos 102 municípios alagoanos, pelo menos três não terão carnaval: Minador do Negrão, Senador Rui Palmeira e Dois Riachos, na região sertaneja. Os motivos alegados pelas prefeituras são diversos, desde medidas de economia até a falta de tradição carnavalesca. Mas, fora das justificativas oficiais, sobram motivos para essas decisões. Nesse campo os três municípios têm muito mais em comum do que parece: histórias de rivalidade política que fizeram vítimas recentes em dois deles. Em Minador do Negrão e Senador Rui Palmeira, onde imperam o medo e a tensão, a tristeza por mortes violentas não abre alas para a alegria do carnaval. A Prefeitura de Rui Palmeira confirma: ?a tragédia que aconteceu por aqui não deixou clima para o carnaval?, confessa o secretário de Administração, Rogério Vieira Cabral. A Prefeitura de Minador do Negrão tenta negar: ?Não é por causa do clima de tensão. Não teremos carnaval porque nunca tivemos. Nossa tradição é o São João?, diz Tardeli de Almeida, funcionário do município. Em 22 de dezembro do ano passado, o funcionário público do município de Senador Rui Palmeira, Wilson Oliveira Silva, filho do então prefeito eleito Siloé Moura e ex-coordenador de sua campanha eleitoral, foi assassinado a tiros deflagrados à queima-roupa, no interior de um bar, no centro da cidade. O crime foi classificado como de motivação política e o mandante, segundo confessou o autor material, José Romildo Pereira, teria sido o ex-prefeito da cidade, Mário César Vieira, derrotado na eleição de 2004. Cidade armada O ex-prefeito está preso desde o dia 7 de janeiro, mas o clima de tensão na cidade continua. Em declarações recentes, o prefeito Siloé Moura disse ter sido informado sobre a presença de pessoas armadas, perto da prefeitura, fazendo ameaças e dizendo que iriam tomar o poder à força. Ele disse, ainda, ter conhecimento de que seu nome estaria numa lista de pessoas marcadas para morrer, da mesma maneira que aconteceu com seu filho. Segundo o secretário Rogério Cabral, a cidade ainda não se recuperou do trauma da morte de Wilson Oliveira. ?Ele estava cheio de planos para o carnaval da cidade. Gostava muito de festa e estava tratando de todos os detalhes para a organização do carnaval. Já havia vários blocos se organizando e contatos com bandas. Estava nos planos do grupo que a Prefeitura iria fazer um bom carnaval este ano. Mas aconteceu essa tragédia e tivemos que adiar os planos. No próximo ano, o prefeito Siloé vai realizar um grande carnaval, porque esse era o sonho de seu filho?, diz Cabral. Rivalidade e morte Na semana passada, dia 28 de janeiro, o município de Minador do Negrão voltou ao noticiário policial, com o assassinato do ex-vereador e secretário de Administração da Prefeitura, Jacó Ferro. Não foi um fato isolado. Jacó foi mais uma vítima de uma guerra que dividiu a família Cardoso Ferro. Foi o terceiro episódio sangrento em menos de um ano, envolvendo as duas facções da família, liderada, de um lado, pelo deputado Cícero Ferro, vítima de um atentado à bala no ano passado; e por outro, pelo fazendeiro José Nilton Cardoso Ferro, que mesmo foragido, acusado de ter tentado matar o deputado, conseguiu eleger seu aliado político, o atual prefeito Emílio Barros. O clima em Minador é de medo e silêncio. Embora reservados, os moradores comportam-se como quem sabe que novas tragédias podem acontecer a qualquer momento, com possíveis baixas para qualquer um dos lados, e carnaval nesse clima não teria sabor de alegria. ?Ia ter uma programação, mas com esse assassinato o clima ficou muito tenso?, comentou um funcionário municipal.

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