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Nº 5758
Cidades

Boneca Vitalina cai na folia no 42� carnaval

CARLA SERQUEIRA Do alto de seus mais de dois metros de altura e 42 carnavais, a boneca Vitalina já se transformou em um dos símbolos do carnaval de Alagoas, apesar de pouca gente conhecer sua história. Desde 1953 os foliões de Guaxuma, Garça Torta, Riach

Por | Edição do dia 06/02/2005 - Matéria atualizada em 06/02/2005 às 00h00

CARLA SERQUEIRA Do alto de seus mais de dois metros de altura e 42 carnavais, a boneca Vitalina já se transformou em um dos símbolos do carnaval de Alagoas, apesar de pouca gente conhecer sua história. Desde 1953 os foliões de Guaxuma, Garça Torta, Riacho Doce e Ipioca saem nas ruas para vê-la passar. Criada por Benedito José dos Santos, a Vitalina nunca deixou de desfilar nos quatro dias de festa. Aos 84 anos, Seu Benedito faleceu, ficando para a filha Edileuza dos Santos a missão de manter viva a tradição. Quando lembra do pai e do seu amor pelo carnaval, Edileuza se emociona. “O primeiro carnaval sem meu pai foi muito difícil. Ele sempre foi muito animado. Perto de falecer, ele pediu para eu não deixar a Vitalina longe da folia”, conta. Bloco Mocidade Feita com varas de peroba e papel, a boneca Vitalina ganha as ruas acompanhada do bloco Mocidade. Zabumba, triângulo e caixa garantem a base para a cantoria. Grande parte das marchinhas – ritmo tradicional dos carnavais da década de 30 – é de autoria de Seu Benedito, que tem registradas nas letras homenagens à boneca, além de inúmeras passagens de sua vida. São mais de 100 músicas compostas por ele e que hoje estão guardadas, apenas, na memória de seus familiares. “Para tudo ele criava uma marcha. Ele adorava rimar e tinha um talento muito grande para o improviso”, contou Edileuza. Preparação Durante um mês, a boneca é enfeitada para desfilar no carnaval. Edileuza passa noites costurando e pregando os enfeites na boneca. “Meu pai sempre teve o prazer de trocar a roupa de Vitalina em todos os carnavais. Ele não gostava que ela repetisse. A primeira roupa dela foi feita de saco de estopa e palha de bananeira”, lembra Edileuza. Funcionária pública do município, Edileuza relata a dificuldade de bancar a construção da boneca. “Só de tecido, enfeites e manutenção dos instrumentos musicais eu gasto R$ 350. Não tenho nenhum tipo de patrocínio. Mas apesar da dificuldade financeira, não deixo Vitalina sem brincar o carnaval”. Outros estados Graças aos esforços de Edileuza e da sua família, a boneca Vitalina encanta também os turistas. “Teve um ano em que uma moça de São Paulo veio procurar o meu pai para comprar Vitalina. Meu pai resolveu vender, mas garantiu que faria outra. Lembro que fomos levá-la no aeroporto dentro de um caminhão”, contou Edileuza. “Em outro ano, um morador da Garça Torta foi passar o carnaval no Rio de Janeiro e comprou uma boneca Vitalina para mostrar aos seus familiares”, lembra. O bloco Mocidade, segundo Edileuza, costuma atrair a atenção de crianças, adultos e idosos. “Todo mundo resolve participar da brincadeira quando vê Vitalina na rua”.

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