Cidades
Crea fiscaliza obra �condenada na Gruta
BLEINE OLIVEIRA Fiscais do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea-AL) voltam hoje a um prédio, no bairro da Gruta, que desabou parcialmente em dezembro de 2002. O Crea investiga denúncia de que o imóvel está sendo reconstruído sem atender às determinações da época do desabamento. A principal delas foi de que o imóvel, localizado na Rua Eurico Acioly Wanderley, fosse totalmente demolido. ?Queremos saber se as determinações foram cumpridas ou não?, disse o engenheiro Nélson Menezes, assessor da presidência do Crea. A obra recebeu uma nova Autorização de Responsabilidade Técnica (ART), mas até ontem o Conselho não havia verificado o cumprimento do que foi determinado pela comissão que investigou as causas do desabamento. Durante a investigação do acidente, que por ter ocorrido na madrugada não teve vítimas, o Crea descobriu que a obra estava sendo edificada sem alvará de construção, tendo inclusive sido embargada pela Prefeitura de Maceió. O proprietário, Luiz Flávio Porfírio, desrespeitou o embargo. Segundo o relatório, no depoimento que prestou à comissão, o arquiteto responsável alegou que a obra em construção não correspondia ao projeto que ele havia elaborado e registrado no Conselho. Se o Crea constatar que as determinações não foram cumpridas e que o prédio mantém os riscos e problemas identificados na época do desabamento, a prefeitura e o Ministério Público serão acionados para determinar a paralisação da obra. ?Vamos verificar o que foi feito dentro das recomendações anteriores. Se houver irregularidades, adotaremos as medidas legais?, confirma Nélson Menezes. Ontem, quatro homens trabalhavam no local, mas nenhum quis dar informações. Um deles, que não se identificou, disse apenas que a obra tinha engenheiros responsáveis e que só estes poderiam falar. De acordo com a placa afixada no alto do prédio, os engenheiros Luciano Vieira de Castro e Francisco de Assis Medeiros são os profissionais responsáveis. Insegurança Além de ter desabado parcialmente, o prédio em construção no bairro da Gruta transformou-se num exemplo de insegurança. O episódio fez lembrar a tragédia do Edifício Palace II, no Rio de Janeiro, que desabou completamente pela falta de colunas e pela má qualidade do material usado na obra, situação que o Crea também encontrou no prédio da Gruta. Com o episódio carioca, que se repetiu na capital pernambucana, aumentou a ação dos órgãos responsáveis pela fiscalização de imóveis.