Cidades
Vigil�ncia alerta para carne clandestina; a�ougues da periferia s�o portas de entrada
FÁTIMA ALMEIDA Vender carne clandestina é crime contra a saúde pública. Pode resultar em multa de até R$ 20 mil, dependendo do volume apreendido e da situação socioeconômica do responsável, além de interdição do ponto comercial e até prisão. Mas, apesar da fiscalização permanente, a Vigilância Sanitária não consegue impedir a entrada de carne clandestina em Maceió. Segundo o coordenador de Vigilância Sanitária da Secretaria Municipal de Saúde, Edinaldo Balbino, a porta principal são os açougues da periferia, que representam cerca de 40% do mercado local. Balbino não arrisca um percentual em relação ao volume de carne clandestina, mas, segundo ele, é raro ocorrer esse tipo de apreensão nos grandes supermercados e dentro do mercado público. ?Como são locais mais visados, há um cuidado maior dos comerciantes em relação aos fornecedores?, explica. Sonegação fiscal O problema da carne clandestina não está apenas na qualidade do produto e nos riscos que o seu consumo representa para a população, mas também na sonegação fiscal. Para tentar driblar a fiscalização, segundo o coordenador da Covisa, vendedores usam até carimbo falso da inspeção federal que é feita nos matadouros autorizados pelo Ministério da Agricultura. Isso não impede, segundo ele, que a fraude seja detectada. ?As equipes, compostas de fiscais e médicos veterinários, têm meios para reconhecer a autenticidade do produto, mesmo que esteja com carimbo falso ou a peça esteja cortada?, diz ele. Segundo Edinaldo Balbino, o objetivo da Vigilância Sanitária é garantir que a população consuma produtos de qualidade, que não representem riscos à saúde, por isso a fiscalização verifica, além da procedência, também as condições de armazenamento, acondicionamento, equipamentos de manuseio e higienização. ?Não basta ter uma boa procedência se o produto não for também tratado com condições adequadas de higiene e acondicionamento?, diz. Nesse aspecto, o coordenador da Covisa reconhece que nem mesmo o mercado público oferece condições satisfatórias de armazenamento e acondicionamento. Na sua opinião, deveria haver no local uma grande câmara frigorífica coletiva, porque isso ajudaria também no controle da entrada de produtos clandestinos.