Cidades
Testemunhas do caso Tony temem sofrer atentado
EDNELSON FEITOSA Os três guardas municipais que testemunharam contra policiais militares de uma guarnição do Batalhão de Radiopatrulha no inquérito que apura o seqüestro, tortura e assassinato do comerciário Tony Herbert Roberto da Silva, 24, denunciaram à polícia que homens desconhecidos têm rondado suas casas e chegaram a abordar seus parentes, para confirmar se residiam no local, e tentaram descobrir seus horários de saída e chegada. Com medo de atentados, os três guardas municipais procuraram o Ministério Público e a Polícia Civil e revelaram o que ocorreu na semana passada. Um dos guardas afirmou que dois homens chegaram à sua residência, perguntando se ali residia um guarda da SMTT (Secretaria Municipal de Transporte e Trânsito), que retirava multas de veículos. Procuraram confirmar o nome do servidor e perguntaram qual o melhor horário de encontrá-lo em casa ou no trabalho. O segundo guarda do grupo que reconheceu os PMs da guarnição da RP destacou que homens não identificados chegaram perguntando se ele morava no local e também quiseram saber os melhores horários para falar com ele. Eles declararam que eram pessoas estranhas com conversas tão esquisitas que levantaram suspeitas até nos próprios parentes. Insegurança Há relato de guardas que dizem ter sido seguidos, confundidos com os colegas que testemunharam contra os militares suspeitos da morte de Tony Herbert. Existe um clima de preocupação entre os guardas da SMTT. Por questão de segurança, o grupo foi recolhido ao serviço interno da Guarda Municipal, por ordem do diretor, delegado João Mendes, onde recebem apoio de colegas. O delegado do 3º Distrito, Carlos Alberto Fernandes Reis, confirmou que o pedido de proteção federal, ou seja, que eles ingressem no Programa Nacional de Proteção a Testemunhas do Ministério da Justiça, já foi encaminhado a Brasília e terá uma resposta em, no máximo, três semanas. ?Estamos aguardando resposta positiva?, garantiu o delegado. Reconstituição Carlos Reis marcou para o dia 21 (segunda-feira) a data da reconstituição do assassinato. A reprodução simulada do crime será feita por peritos do Instituto de Criminalística, com base nas declarações dos três guardas municipais, e vai mostrar em detalhes como Tony Herbert foi conduzido até a viatura da Radiopatrulha e entregue ao cabo PM Jailton Firmino. Além de Firmino, integravam a guarnição os soldados José Ronaldo dos Santos, Marcelo Carlson Lima de Oliveira e Abdi Ferreira Félix. Os quatro PMs foram afastados das ruas, por ordem do comandante-geral da PM, coronel Edmilson Cavalcante, e prestam agora serviços internos no quartel do Batalhão de Radiopatrulha, no bairro do Farol. A perícia técnica terá também como base o resultado das declarações de testemunhas da prisão de Tony Herbert, ocorrida após suposta tentativa de arrombamento de um veículo Pampa, nas imediações da 20ª CSM, no Centro, e condução até o posto Esso localizado ao lado do escritório da TIM, no Sobral, onde os PMs teriam recebido o preso. Reconhecimento Na última terça-feira, o diretor da Corregedoria Geral da PM, coronel José Rubens de Freitas Goulart, encaminhou as fichas funcionais dos quatro policiais militares para o delegado Carlos Alberto Reis. ?Vou fazer uma análise e anexar ao inquérito?, destacou Reis. O delegado Reis disse que o reconhecimento feito pelos guardas municipais é o único indício que a Polícia Civil dispõe contra os quatro PMs. O casal da Pampa acompanhou os guardas até a entrega aos PMs que estavam em uma viatura Patamo. Eles não conseguiram reconhecer os PMs, alegando à polícia que não se lembraram direito das pessoas que receberam o preso. O comerciário Tony Herbert desapareceu na noite do dia 21 de novembro do ano passado, no último dia do Maceió Fest, após ser preso pelos guardas da SMTT e entregue à guarnição da PM. O corpo foi achado no outro dia, num terreno baldio próximo à indústria Braskem, no Pontal da Barra, apresentando sinais de tortura e uma perfuração à bala na cabeça.