Cidades
Empresa de incinera��o de lixo hospitalar gera pol�mica
CARLA SERQUEIRA A instalação de uma empresa de incineração de lixo hospitalar no Distrito Industrial Luiz Cavalcante, no Tabuleiro, está causando polêmica entre empresários da área. A empresa, de nome Serquip, já tem duas licenças para funcionar, emitidas pela Secretaria Municipal de Proteção do Meio Ambiente (Sempma) em outubro do ano passado. A Associação dos Empresários do Distrito Industrial (Aedi) está preocupada com a idéia e tem mobilizado a categoria para impedir a implantação. As licenças foram dadas na gestão da então prefeita Kátia Born. O secretário da Sempma à época, Alder Flores, emitiu a licença prévia, que permite à empresa alojar-se na área, e a licença de instalação, que autoriza a implantação dos equipamentos. ?Os técnicos avaliaram o relatório de impacto ambiental feito pela empresa e, posteriormente, fizeram uma vistoria no local. Confiando em minha equipe, emiti as licenças?, justificou. Para ser totalmente legalizada, a empresa necessita de uma última licença, a de operação, fornecida pelo Instituto do Meio Ambiente (IMA), após a avaliação do teste de incineração, onde resíduos serão queimados e o teor de fumaça estudado pelos técnicos do instituto. ?A avaliação deste teste é que vai dizer se a empresa pode ou não funcionar?, informou Alder Flores. O IMA, no entanto, ainda não recebeu nenhuma solicitação de licença da empresa. ?Ainda não chegou nada às minhas mãos?, informou o gerente de Controle Ambiental do Instituto, Paulo Costa. Área residencial De acordo com a Aedi, existem 50 indústrias instaladas no Distrito Industrial, empregando cerca de 3.200 pessoas diretamente e 12 mil indiretamente. ?Esta é uma área residencial. São mais de 11 bairros vizinhos, com uma média de 150 mil habitantes. Não queremos levar risco para essas pessoas?, disse o presidente da Aedi, Gilvan Leite, explicando que a intenção não é ir de encontro à empresa. ?Queremos apenas que alguém nos explique quais foram os critérios adotados para permitir a instalação de uma empresa deste tipo no Distrito Industrial, onde há uma grande área residencial?. Segundo Gilvan Leite, a Aedi pediu explicações aos órgãos ambientais, mas nenhum deu retorno. ?A empresa deve estar de acordo com a resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) nº 316, de 28 de outubro de 2002, que diz que as empresas de tratamento térmico de resíduos industriais não podem ser instaladas em áreas residenciais?. O ex-secretário da Sempma, Alder Flores, garantiu que, durante a visita da equipe técnica, foi feita uma avaliação de distância e não foram encontrados problemas em relação a isso. Licença A Serquip iniciou a construção em outubro, quando recebeu a primeira licença. De acordo com o sócio da Serquip, Luís Felipe Almeida, a empresa atendeu a todos os requisitos solicitados pela Sempma. ?Minha empresa tem equipamentos de alta tecnologia. Há uma redução de resíduos de 97%. O problema é que os empresários alagoanos têm a cabeça muito fechada. Dizem que não querem a empresa no Distrito e pronto?, desabafou, explicando que existem mais cinco unidades da empresas em outros estados, todas em distritos industriais. ?Nunca tive nenhum tipo de problema?, disse. Lixo hospitalar Em Maceió, a empresa que faz a coleta do lixo hospitalar é a Cinal, que tem um aterro na periferia de Marechal Deodoro. De acordo com a secretário municipal de Saúde, João Macário, o contrato com a Cinal foi firmado emergencialmente. ?No início da nossa gestão, em janeiro deste ano, fizemos um contrato com a empresa que vence em 90 dias. Após isso, será aberta licitação?, concluiu, dizendo que ainda não tinha tomado conhecimento sobre a polêmica entre os empresários do Distrito Industrial e a Serquip.