Cidades
Essa dor s� vai acabar no dia em que eu morrer
REGINA CARVALHO Evangélica praticante, Vera Lúcia Roberto da Silva não se conforma com a morte do seu filho, Tony Herbert Roberto da Silva, de 24 anos. ? E grande a dor de perder um filho, mais ainda da maneira que me tiraram o meu. Se eu não tivesse Jesus no coração, estaria doente num hospital ou internada num hospício. Deus está me dando forças para agüentar essa dor?, enfatizou. A rotina da feirante do Mercado da Produção mudou depois que seu filho foi assassinado, no dia 21 de novembro do ano passado. Hoje ela pensa em ir embora de Alagoas, não por medo de morrer ou para tentar amenizar o sofrimento, mas para evitar que seus outros três filhos possam ser alvo dos assassinos que mataram Tony. ?Só quero sair daqui se for para outro Estado, não apenas para mudar de bairro. Quero ir embora para recomeçar a vida?, acrescentou. Ação O pai de Tony Herbert que, por medo, prefere não se identificar, disse que está pensando em mover uma ação contra o Estado. ?Vamos contratar um advogado porque não é possível viver com medo?, disse. Ele se refere ao fato de, por duas vezes, uma viatura da Radiopatrulha ter sido vista nas proximidades da casa. ?Eles ficavam dentro do carro observando a gente. Fica todo mundo com medo de também morrer, pois eles [os assassinos de Tony] sabem onde moramos?, disse. Com dois netos e três filhos, a feirante Vera Lúcia disse que gostaria de ser colocada frente a frente com o cabo PM Jailton Firmino, acusado de ser um dos assassinos de Tony e que está preso no quartel da PM, no Trapiche, desde a última quinta-feira, por porte ilegal de arma. ?Se me botarem na frente dele, eu prego a palavra de Deus. Essa dor só vai acabar no dia em que eu morrer?, afirmou. A feirante diz que todos os dias pensa no quanto seu filho pode ter sofrido antes de morrer e isso, segundo ela, é o que mais machuca. ?Às vezes fico pensando o quanto ele deve ter sofrido quando estava sendo machucado. O quanto ele chamou por Deus. Dá uma dor no peito que só eu sei,? afirmou. Proteção O pai de Tony disse que até que a família decida sair de Alagoas, vai pedir proteção para seus filhos, netos e a ex-esposa Vera Lúcia. ?Tem muita coisa que a gente não ficou sabendo que aconteceu quando eles estavam com o meu filho. Contesto até mesmo o laudo do IML, que não dizia tudo. Estive lá e vi o quanto meu filho estava machucado?, lamentou. O delegado Carlos Alberto Fernandes Reis indiciou, no último dia 12, o cabo PM Jailton Firmino e os soldados José Ronaldo dos Santos, Marcelo Carlson Lima de Oliveira e Abdi Ferreira Félix pelo assassinato do comerciário Tony Herbert Roberto da Silva. Eles foram reconhecidos por três guardas municipais. Carlos Alberto Reis acredita que o cabo Jailton Firmino será expulso da PM.