Cidades
Ver�osa: Atraso nas aulas � danoso
BLEINE OLIVEIRA O professor Élcio Verçosa, especialista em ensino e presidente do Conselho Estadual de Educação (CEE), considera danoso o atraso no ano letivo em qualquer instituição de ensino. Ele cita a própria Universidade Federal de Alagoas (Ufal), onde é professor, como exemplo desse prejuízo. ?Até hoje estamos acertando o passo?, afirma Verçosa. Mas esse atraso não representa uma irregularidade, ressalta o presidente do CEE. É que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDBE) estabelece como exigência que, independentemente do descompasso entre ano letivo e ano civil, os estudantes tenham 200 dias letivos e 800 horas/aula. Só que o Conselho teme que o prejuízo maior seja quanto ao conteúdo pedagógico, especialmente nas chamadas disciplinas de Ciências Exatas, como Física, Química e Matemática. Faltam professores dessas disciplinas na rede pública, um problema que, na avaliação de Élcio Verçosa, só será resolvido quando o governo melhorar as condições de trabalho e de salário no magistério. ?Apenas quando a profissão for atrativa teremos mais profissionais interessados nessa área do conhecimento?, completa ele. Os especialistas em educação apontam aspectos que, na visão de leigos, passam despercebidos. O clima, ou melhor, as estações climáticas, influenciam o desempenho dos alunos, que deveriam estar de férias no verão. Na rede pública estadual alagoana, ao contrário, a maioria das escolas funcionou enquanto o alunado deveria curtir o período de férias. Somente agora, com atraso, o ano letivo de 2005 está sendo iniciado, e mesmo assim com 30% das escolas ainda fechadas. As férias em dezembro e janeiro, auge do verão, garantem inclusive que não haja danos à saúde de estudantes e professores. Afinal, como as salas de aula nas escolas públicas não são climatizadas, o calor característico da Região Nordeste causa desconforto a todos.