Cidades
Tabuleiro e Clima Bom: 1.600 crian�as sem escola
FÁBIA ASSUMPÇÃO Mais de 1.600 crianças e adolescentes dos bairros do Tabuleiro e Clima Bom estão fora da escola, de acordo com cadastramento feito em escolas públicas da rede municipal ? responsável pelo ensino fundamental ? dessa região. O levantamento está sendo realizado pelos conselhos tutelares desses bairros, com o apoio do Conselho Estadual da Criança e do Adolescente (Ceca), de forma paralela à Secretaria Municipal de Educação, que, segundo o Ceca, não tem levantamento oficial de quantas crianças e adolescentes estão fora das salas de aula. O resultado, de acordo com o presidente do Ceca, Giberto Irineu, será encaminhado ao Ministério Público ?para que sejam tomadas as providências para garantir o acesso às salas de aula?. Esse número pode chegar a mais de 2 mil, com o cadastramento realizado ontem no ginásio da Escola Salete Gusmão, no Conjunto Osman Loureiro. Faltam vagas Só no Clima Bom, o cadastro anterior já havia identificado 480 crianças fora da escola. Mas a situação é ainda mais crítica no Village Campestre, onde um levantamento feito na Escola Hélvia Valéria registrou que 700 crianças não conseguiram efetuar as matrículas por falta de vagas. Para o presidente do Conselho Tutelar do Tabuleiro, Edson Correia, as causas para que tantas crianças estejam fora da sala de aula estão na falta de escolas e na necessidade de ampliação das já existentes. Na próxima semana, mais um cadastramento será realizado no Osman Loureiro, revelando a situação no conjunto Cleto Marques Luz, no Salvador Lyra. Voluntários O cadastramento na Escola Salete Gusmão foi feito por 12 voluntários da própria comunidade. Nas primeiras horas da manhã, cerca de 200 pais estiveram no local em busca de vagas para seus filhos e encaminhamento para emissão do registro do nascimento e da Carteira de Identidade para adolescentes com mais de 18 anos. A falta de registro civil de pais e filhos é, muitas vezes, um empecilho para efetuar a matrícula nas escolas públicas. Renalda dos Santos, que mora no Clima Bom, estava em busca de uma vaga na 8a série para o seu filho. O adolescente corre o risco de ficar fora da sala de aula, já que a mãe diz não ter condições de pagar a mensalidade de uma escola particular, que custa R$ 85. ?Tentei uma vaga numa escola pública, mas não consegui?. Daniela Osório de Oliveira também tinha esperança de, com o cadastramento, conseguir uma vaga para o filho, Artur Felipe de Oliveira, de 7 anos, na 1ª série. Ela disse que o marido chegou a dormir na porta da Escola Nenoí Pinto para tentar matricular o filho, mas não havia mais vagas. ?Tenho a esperança de que vou conseguir uma vaga?.