Cidades
Servidores s�o indiciados por golpe na Fazenda
REGINA CARVALHO O delegado de Falsificação e Defraudações, Nilson Alcântara, indiciou, ontem, os funcionários da Secretaria da Fazenda José Valter da Silva e Geraldo Correia por tráfico de influência para apressar o pagamento de processos em troca de propinas na Sefaz. ?Eles estão envolvidos no caso. Júlio Ney Lima do Nascimento [empresário apontado como pivô do esquema] dizia qual era o processo e Geraldo agilizava a tramitação?, disse o delegado Nilson Alcântara, após interrogar os funcionários. José Valter da Silva atua como funcionário terceirizado na prestação de serviços à Sefaz, e Geraldo Correia ocupa cargo em comissão na Divisão de Pagamentos da Secretaria. Os dois funcionários foram apontados por Júlio Ney Lima como participantes no esquema. Apesar das evidências levantadas pela polícia, José Valter nega que tenha participado do golpe. ?A minha única função era localizar o processo a pedido do ?seu? Geraldo?, disse José Valter. Questionado se recebia propina, ele disse que ?recebia só uma gratificação pelo serviço?, mas não revelou o valor. Júlio Ney, acusado de liderar o esquema de extorsão a empresários, estava preso na Delegacia de Falsificações e Defraudações, mas foi solto semana passada e responderá ao processo em liberdade. Ele foi preso em flagrante, no início do mês, por extorsão contra o empresário João Cassimiro Bittencourt Neto, de quem exigiu R$ 6 mil para que o pagamento de processos no valor de R$ 50 mil, que o empresário tinha a receber, fosse priorizado pela Secretaria da Fazenda. Rateio Acusado de corrupção ativa, Júlio Ney oferecia seus ?serviços? para apressar o processo de empresas que tinham dinheiro a receber do Estado. ?O rateio girava em torno de 10% a 12%?, afirmou o delegado Nilson Alcântara. O delegado Nilson Alcântara disse que continua ouvindo testemunhas. Segundo ele, Júlio Ney tinha em mãos documentos de manuseio exclusivo da Secretaria da Fazenda. Segundo o promotor Luiz Vasconcelos, que denunciou o envolvimento de funcionários da Sefaz no esquema, isso reforça a tese de tráfico de influência dentro da Sefaz, promovido por Geraldo Correia. O delegado Nilson Alcântara confirmou que o esquema contava com informações detalhadas de Geraldo Correia. ?Júlio Ney dizia qual era o processo e Geraldo agilizava?, destacou. Júlio Ney disse à polícia que estava em ?dificuldades financeiras? quando se aliou a funcionários da Sefaz para montar o esquema. O valor rateado entre o grupo variava entre 10% a 12% dos pagamentos feitos pela Secretaria a empresas que aceitassem pagar a propina.