Cidades
Era a �nica riqueza que eu tinha
O caçador Rosinaldo da Silva, o ?Nado?, passou a fazer uma busca e encontrou os outros dois crânios. Um estava bastante quebrado. O outro, maior, estava intacto. As ossadas estavam a uma distância de quatro a cinco metros uma da outra, fato que levanta suspeitas de que as crianças foram assassinadas no local. Um dos crânios tinha um buraco bem no meio, como se a vítima tivesse levado uma pancada na cabeça. Ele confirmou que não seria fácil para os bombeiros e para a polícia localizar as crianças mortas, porque a área é de difícil acesso. ?Só achei as ossadas porque a capoeira estava queimada, do contrário não teria entrado na grota?, declarou ele. O caçador procurou ajuda de moradores da localidade e comunicou o achado à polícia. O delegado do 5º Distrito, Cícero Rocha, de plantão na Central Integrada de Atendimento Policial ao Cidadão (CIAPC 2), no Tabuleiro, encarregou-se de convocar o Instituto de Criminalística e o IML de Maceió, onde as ossadas serão submetidas a exames para identificar a causa da morte de Alexandro, Alexandra e Carla dos Anjos. Reconhecimento Na manhã de ontem, Mário Ferreira da Silva esteve no IML, onde reconheceu um pedaço de calcinha que estava preso aos ossos de uma das vítimas e uma sandália, que ele acreditou ser de seu filho mais novo, o caçula Alexandro, de 2 anos. Referindo-se à mais velha, ele declarou: ?É a cabecinha dela?. Mário Ferreira declarou que sua mulher, Maria Aparecida, não é mais a mesma, desde que perdeu as crianças na mata. Fica distante, parecendo tentar se lembrar do que realmente aconteceu. ?Ela passou dois meses e meio no hospital e quando saiu, eu já estava na casa do conjunto Carminha (o casal ganhou uma casa da prefeitura). Quando eu falo no assunto das crianças, ela fica triste e chora muito?, declarou. Segundo Mário, há três semanas Maria Aparecida se lembrou de ter sido perseguida por um homem e violentada. Para escapar da morte, fugiu do local deixando o homem, que não consegue recordar quem é, com as três crianças. ?Quando eu achei ela, Maria falava que tinha sido estuprada, mas como estava desequilibrada eu não levei a sério?, afirmou ele. O pai das três crianças relatou que, quando realizava as buscas na mata, poucos dias após o desaparecimento dos filhos, encontrou pegadas da mulher e das crianças, perto do local onde o caçador achou as ossadas, e havia também marcas de bota. Parecia que um homem seguia sua esposa e os filhos. Ele disse ter revelado o fato à delegada dos Crimes Contra Crianças, Ana Luiza Nogueira, que abriu inquérito para apurar o sumiço das crianças. Mário levou um pedaço de pau com manchas de sangue e uma sandália encontrados, material anexado ao inquérito, para ressaltar suas suspeitas de que os filhos estavam mortos. ?Era a única riqueza que eu tinha. Foi tudo embora. Eu tinha tanto amor por eles. E agora, o que será de mim e da Maria??. Ele quer a liberação das ossadas para dar aos filhos ?um enterro cristão?. (EF)