Cidades
Comiss�o apura incinera��o de lixo hospitalar
FÁTIMA ALMEIDA Uma comissão que reúne os órgãos ambientais e sanitários do Estado e do município de Maceió vai avaliar a licença de operação e propor ajustes para adequação da empresa Sequip às normas estabelecidas na legislação existente. A empresa está em processo de implantação, no Distrito Industrial Luiz Cavalcante, em Maceió, de um incinerador de resíduos hospitalares e industriais. A informação foi dada pela GAZETA na edição da última sexta-feira, 18. A chegada da indústria, que já tem licenças prévias do Instituto do Meio Ambiente (IMA) e da Secretaria Municipal de Proteção Ambiental, não agradou aos vizinhos empresários, que resolveram se mobilizar para questionar a implantação. O argumento da Associação das Empresas do Distrito Industrial (Adedi) é de que os produtos a serem processados pela Serquip representam risco iminente de contaminação e intoxicação. Segundo a associação, existem 50 indústrias instaladas no local, com cerca de 3.200 funcionários, e uma população residente em cerca de 10 bairros que cresceram ao redor, estimada em 150 mil habitantes. ?Essa empresa vai efetuar o tratamento térmico de resíduos hospitalares e afins, como partes de cadáveres vindos do IML, restos de cirurgias executadas nos hospitais da Grande Maceió, e todos os resíduos da área de saúde, bem como de produtos químicos e medicamentos vencidos ou deteriorados. Não é preciso ser especialista para deduzir a complexidade do coquetel químico e biológico que ali será processado?, destaca um documento da Adedi, encaminhado aos órgãos ambientais. Ontem pela manhã, representantes de órgãos de saúde, Vigilância Sanitária, meio ambiente do Estado e município, e diretores da Serquip participaram de uma reunião convocada pela Adedi, para tentar resolver a polêmica, que não se resume aos riscos operacionais, mas também à concessão das licenças prévias de instalação da nova empresa. ?Queremos esclarecimentos sobre os critérios adotados para permitir a instalação de uma empresa que opera com esses itens no Distrito Industrial, que hoje é cercado de áreas residenciais?, disse Gilvan Leite, presidente da Adedi. ?Somos indústria; é claro que há riscos? O ex-secretário municipal do Meio Ambiente, Álder Flores, afirmou que toda a tramitação legal e os princípios ambientais foram rigorosamente observados e cumpridos. ?Foram feitas avaliações técnicas, estudo de impacto ambiental e vistorias no local, antes de ser emitida a licença?, assegurou. O representante da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Eduardo Normande, afirmou que não encontrou o Estudo de Impacto Ambiental nem a documentação referente ao processo de licenciamento, mas o ex-secretário Flores apresentou cópias de todos os procedimentos. Os empresários vizinhos citam como agravantes os riscos de odores fortes, fumaça e fuligem, e questionam o controle da situação de acondicionamento de resíduos perigosos em caso de pane nos fornos de incineração. ?Nosso lixo não é solto. É acondicionado em recipientes de polieteno de alta densidade, denominados de bombonas. Se houver pane nos equipamentos, temos condições e licença para transportar os produtos para a nossa unidade do Recife. Nenhum efluente nosso vai para o meio ambiente?, explicou o diretor da Sequip, Alexandre Menelau. Segundo ele, a empresa já tem oito unidades instaladas em estados do Nordeste e Sudeste, está há cinco anos no mercado e nunca recebeu uma advertência de qualquer órgão ambiental ou sanitário. ?Não estamos trazendo uma experiência, mas uma situação consolidada?, disse ele. Menelau questionou fotos apresentadas pelos empresários, mostrando fumaça e efeitos que seriam da fuligem, e arrematou: ?Somos indústria, todos nós. Sai fumaça; é claro que há riscos, por isso nosso lugar é em distritos industriais?. O representante da Sequip afirmou que a empresa cumpriu todas as exigências para entrar em operação. Como encaminhamento, ficou definido que a Adedi deverá contratar uma auditoria externa para fazer a medição dos poluentes lançados pela empresa, reunindo subsídios técnicos para saber se sua instalação será ou não prejudicial às empresas associadas e à população residente.