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Alagoana tem alta depois de ter filho aos 65 anos

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FERNANDO VINÍCIUS Voltou ontem para casa Maria Quitéria da Silva, 65 anos, a segunda mulher mais velha do mundo a dar à luz. Ela recebeu alta da Santa Casa de Nossa Senhora do Bom Conselho, antigo Hospital Regional de Arapiraca, às 11h30. O parto do pequeno Mateus, nome que escolheu para seu filho, foi normal e durou pouco mais de quinze minutos. Segundo o médico obstetra Ulisses Pereira, mãe e filho passam bem e por isso foram liberados. O fato virou assunto nacional e atraiu a atenção da imprensa do país para a história de uma mulher humilde, analfabeta e sem estrutura para manter sua família. Viúva e sem condições de cuidar do recém-nascido e da filha Vitória, 4 anos, Maria Quitéria foi recebida em Maribondo na casa do seu irmão José Antônio da Silva, o Zé Pequeno, um conhecido barbeiro da cidade. O marido dela morreu por causa de complicações generalizadas provocadas por consumo de bebida alcoólica há cerca de quinze dias, e Quitéria não tem contato com a família dele. Segundo os vizinhos, Seu Lico, como era conhecido, bebida muito e já nem agüentava mais trabalhar na roça. O casal vivia em condições de miséria, num cômodo apertado onde não há energia elétrica, água encanada e saneamento. A comida era preparada no chão, usando lenha como combustível para aquecer a panela apoiada sobre tijolos nos fundos da casa situada na Rua do Capricho, bairro São José. Na casa do irmão, Maria Quitéria terá um pouco mais de conforto e alimentação, passando a conviver com cinco pessoas em uma casa pequena onde vivem seu irmão, a esposa e mais três filhos. ?Onde comem cinco, também comem dez?, assegura Zé Pequeno, repetindo o dito popular. Apoio Representantes das secretarias municipais de saúde e de ação social garantiram que ela receberá assistência da prefeitura, desde alimentação para que a mãe possa manter a amamentação do bebê, até peças para o enxoval. A gravidez de Maria Quitéria foi detectada graças ao trabalho da agente comunitária de Saúde que atua no bairro onde ela morava. Quando foi examinada pela primeira vez, segundo a enfermeira Adriana Cabral, ela já estava com mais de seis meses de gestação, condição que desconhecia. Quitéria é muito tímida e não saberia tomar sozinha as providências necessárias para fazer um pré-natal, ainda que tardio. Claudiana Barros, responsável pelo setor de marcação de exames da Secretaria Municipal de Saúde, lembra que Quitéria apenas ria e baixava a cabeça quando lhe fazia perguntas. Com as guias das requisições, fez os exames acompanhada por uma amiga que constatara a normalidade da gestação, ainda que sua idade caracterize gravidez de risco. Disfunção hormonal O acompanhamento médico que recebeu a partir de então permitiu descobrir que ela começou a menstruar com cerca de 20 anos, quando a média nacional fica entre 13 e 14 anos. A alteração hormonal certamente contribuiu para que ela se tornasse a segunda mulher mais velha do mundo a parir, mas sem o recurso da inseminação artificial, método utilizado pela professora romena Adriana Iliescu, mãe aos 67 anos, a ?recordista? mundial. /// Quitéria diz que não ?dá? o filho caçula Maria Quitéria é mãe de mais três meninas, sendo que a mais velha deve ter cerca de 10 anos, já que ela não consegue lembrar ao certo a data de nascimento e ?deu? a criança recém-nascida para uma família que não sabe nem onde mora. A segunda filha, Vitória, vive com ela e a mais nova, Érica, de um ano e meio, foi adotada por uma cunhada que vive em Anadia. Quitéria garante que vai ficar com Mateus e não quer mais filhos. O futuro de sua família é incerto, pois depende da caridade das pessoas, como as que doaram fraldas descartáveis e lençóis para o bebê quando ainda estava na maternidade. Vitória passa o dia na creche municipal, onde estuda, recebe um café da manhã, toma banho, almoça e dorme. Ontem, ela foi para a casa do tio e pôde conhecer seu irmão Mateus.

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