Cidades
Casar�o no Centro vira reduto de drogados
FÁBIA ASSUMPÇÃO Um casarão abandonado na Rua do Imperador, no Centro de Maceió, está trazendo dor de cabeça aos comerciantes. O prédio, onde só restam agora as paredes ? porque as telhas foram retiradas ? está servindo de abrigo para usuários de drogas durante a noite. E, para piorar a situação, um terreno baldio ao lado da casa é usado como depósito de lixo, principalmente por ambulantes que jogam entulhos como bagaço de cana e cascas de coco verde. O prédio fica ao lado da sede do Sindicato dos Petroleiros e Químicos (Sindpetro) e ao redor existem vários estabelecimentos comerciais. O proprietário de uma loja de aparelhos celulares, Haroldo Loureiro, disse que já tomou a iniciativa de fazer a limpeza do terreno por conta própria. Mas acabou desistindo. ?Só vai resolver se colocar um muro de concreto, porque se colocar em tijolo eles derrubam?, disse, se referindo aos invasores que ocupam o prédio para se drogar. A situação incomoda, também, os dirigentes do Sindpetro. A sede do sindicato fica ao lado do casarão abandonado. ?Dá até medo passar por aqui no início da manhã, porque pode sair um marginal daí e atacar?, comenta a diretora do Sindpetro, Graciene Cruz. Ela cobra uma ação da prefeitura para evitar o acúmulo de lixo no terreno e afastar os desocupados que utilizam o prédio para se drogar e cheirar cola. ?Desde o começo do ano não é retirado lixo deste local. Antes, ainda era feita a limpeza periodicamente?. De acordo com Graciene, os prédios da Rua do Imperador estariam tombados pelo Patrimônio Histórico. A informação não foi confirmada pela arquiteta Adriana Guimarães, da Secretaria Executiva de Cultura. ?Nessa região apenas a casa de Jorge de Lima, que fica na Praça Sinimbu, foi tombada pelo Patrimônio Público?. De acordo com técnicos da Secretaria Municipal de Planejamento, parte dos prédios da Rua do Imperador está dentro da área de proteção instituída por lei municipal, que garante incentivos aos proprietários que conservam e preservam sua estrutura arquitetônica. Isso não impede que os proprietários desses prédios façam reformas. Assaltos e roubos Os transtornos causados pelo prédio abandonado escondem um problema ainda maior: a falta de segurança na região do Centro. Segundo o comerciante Paulo Carden Alves de Lima, a maior parte dos prédios desocupados na rua é alvo de ladrões. ?Eles roubam tudo, principalmente à procura de ferro e alumínio?. Paulo, que tem uma loja de placas na Rua do Imperador, também foi vítima desses roubos. A grade de ferro que protegia o vidro da janela de seu estabelecimento foi roubada. ?Eles só não roubaram a loja, porque o prédio da frente tem vigilante?. Paulo diz que não há um comerciante na região que não tenha uma história de roubo ou assalto para contar. ?Eles chegaram a roubar uma porta de rolamento desse prédio vizinho?. À noite e nos fins de semana, os riscos de ser assaltado aumentam ainda mais. Sem policiamento nas ruas do Centro, os ladrões agem tranqüilamente. O comandante do Policiamento da Capital, coronel Antônio Pimentel, informou que a segurança do Centro é feita por sistema de rondas com veículos. ?Nós não temos condições de colocar de quatro a cinco homens a pé para tomar conta de uma rua?, observa Pimentel. Segundo ele, o efetivo da Polícia Militar hoje é pequeno para cobrir toda a Maceió. Mas no Centro sempre há presença de policiais, como os da Radiopatrulha, mesmo nos fins de semana e à noite. Ele afirma, também, que as pessoas precisam tomar alguns cuidados ao circular pelas ruas, não expondo objetos que chamem atenção dos ladrões, como celulares, correntes e pulseiras de ouro. ?A Polícia Militar tem feito seu trabalho para garantir a segurança. Só no mês de janeiro, apreendemos 52 armas de fogo. Todos os dias prendemos de cinco a seis pessoas por pequenos furtos. Só que elas são presas e, logo depois, soltas?.