Cidades
Guias boicotam piscina natural da Paju�ara
FERNANDO COELHO Para combater a suposta sabotagem de guias turísticos ao passeio à piscina natural da Pajuçara, a estratégia que resta aos jangadeiros é o corpo a corpo. ?Os guias estão desviando o turista de Maceió?, reclama o jangadeiro Ismael Santos, 18 anos de profissão. ?Se o turista vem para passar cinco dias, eles o levam para o Litoral Norte, para o Sul, para o São Francisco e esquecem da gente aqui. Não são todos, mas tem uns que dizem: ?não vá lá, o barco é pequeno, não tem segurança e pode virar??. Na Pajuçara, 126 jangadas fazem o transporte, que custa R$ 13,00 por pessoa. Segundo dados fornecidos pela Associação dos Jangadeiros, entre os meses de dezembro e janeiro foram registrados 5.500 embarques. A queda na procura é constatada pelos números do passado. Há oito anos, o passeio chegou a ter 9 mil passageiros em um mês. ?Cerca de 60% dos guias não informam [sobre a piscina], porque ganham mais levando o turista para fora de Maceió. Como nossa comissão é pequena, eles acham que não compensa?, diz Paurílio Santos, diretor da associação. O representante dos jangadeiros calcula que o problema com os guias começou há quatro anos. Nos anos dourados para os veleiros, cada um chegava a fazer seis viagens por dia. Hoje, se contentam quando conseguem duas. Caso de Gerdeão Gomes, há 19 anos no vaivém das ondas. ?Tem guia dizendo que nossa piscina está poluída. Isso não existe. Duvido você encontrar um copo descartável na piscina. É trágico as pessoas do turismo pintarem uma imagem dessas de um passeio tão bonito?. O jangadeiro calcula um aumento de 90% nas viagens, caso o passeio seja oferecido em pacotes de agências. Outro jangadeiro, Ismael Santos, faz coro às reclamações. ?Já é meio-dia, o sol está a pino e eu não fiz uma viagem sequer?, diz. Ele aponta os banheiros públicos fechados. ?Não tem água e não tem banheiro; isso afasta o turista?. Mesmo ao reconhecer que 2005 está sendo melhor que o ano passado, ele não esconde o temor com a chegada da baixa temporada. ?Na Semana Santa melhora um pouco. Depois, só volta a ficar bom em julho, no mês das férias. Eu pesco, mas a maioria não tem outro tipo de serviço e termina procurando ?bicos? para sobreviver?, explica. O secretário municipal de Turismo, Carlos Gatto, tem outra versão para o problema. ?Apesar de entender a reclamação dos jangadeiros em relação aos guias, não concordo quando eles dizem que o movimento caiu. O que querem é um aumento no número de passageiros?, alega. Para o secretário, a lotação da piscina ?está no limite de ocupação?. Um aumento no fluxo, diz ele, pode provocar degradação ambiental. ?Temos que ter cuidado para não ocorrer o mesmo que em Maragogi. Se a piscina da Pajuçara for interditada, não teremos nem o mel nem a cabaça?, ilustra. /// Passeio encanta turistas, mas agência condena Nas praias de Maceió, é raro encontrar turistas que vieram por pacotes de agências. O casal Rogério e Carla Fonseca desembarca na orla encantado com a piscina de Pajuçara. ?É tudo muito bem-feito. Os jangadeiros são atenciosos, lá é tudo limpo e as condições de segurança são muito boas?, avalia Rogério. Naturais de São José dos Campos, São Paulo, eles vieram por conta própria e já estavam há três dias em Maceió. A informação sobre a piscina natural foi dada por um jangadeiro que fez a abordagem enquanto passeavam pelo calçadão. Na avaliação do casal, ?a orla urbana é agradável e limpa?. A única reclamação sobrou para a Praia do Francês, em Marechal Deodoro, que ?estava bastante suja?. Sérgio Firmino e Cecília de Abreu fizeram a rota Porto Alegre-Maceió de carro. ?Ficamos encantados com a piscina natural da Pajuçara. Soubemos por meio dos jangadeiros?, explica Sérgio. Para ele, Maceió só tem pontos fortes. ?Natureza maravilhosa, povo maravilhoso. Se pudéssemos, não voltaríamos mais para casa?, exclama. O aparente descaso das agências de turismo com a piscina natural da Pajuçara tem motivação econômica. ?Não dá para levar o turista lá, porque não é economicamente interessante para ele: teríamos que embutir os nossos custos operacionais?, argumenta o empresário Marçal Monteiro. Em sua opinião, o passeio oferece até um certo risco e é desorganizado: ?Na piscina natural não existe uma empresa que responda, caso algum problema aconteça. As jangadas são para poucas pessoas e o passeio não é tão organizado quanto os outros que oferecemos?.