Cidades
Burocracia deixa Lifal sem coquetel antiaids
REGINA CARVALHO Dois medicamentos fundamentais para a fabricação do coquetel antiaids estão em falta no Laboratório Industrial Farmacêutico de Alagoas (Lifal). Sem a possibilidade de adquirir matéria-prima para fabricação, a direção do laboratório depende da assinatura de um convênio com o Ministério da Saúde (MS), que está importando medicamentos para suprir a carência no Brasil. O diretor-presidente do Lifal, Marcos Omena, informou que participará de uma reunião na próxima quarta-feira, no Ministério da Saúde, em Brasília, para resolver esse impasse. ?Não sei dizer há quanto tempo estamos sem esses medicamentos porque assumi o cargo há poucos dias. Estou me inteirando da situação do Lifal agora?, afirmou ele. De acordo com o diretor, depois da assinatura do convênio com o Ministério da Saúde, no máximo dentro de 20 dias o laboratório reiniciará a fabricação do coquetel. Marcos Omena culpa a gestão anterior pela ausência dos medicamentos Nevinicina e Indinavir. ?A herança que recebi no Lifal não é tão boa?, destacou. O coquetel fabricado em Alagoas pelo Lifal é enviado ao Ministério da Saúde, que por sua vez distribui para vários estados do País. ?Nós agora estamos dependendo da assinatura do ministério e da entrada de dinheiro, pois não temos como comprar matéria-prima?, disse o diretor-presidente do Lifal. Com a falta de medicamentos para fabricação do coquetel, o governo federal resolveu importar a matéria-prima de outros países, a exemplo da Argentina e dos EUA, até que a produção nacional das drogas seja normalizada. Semana passada, cerca de três toneladas de medicamentos para tratamento da Aids chegaram ao Brasil. O programa nacional de antiretrovirais, o maior e mais elogiado do mundo, deixou, na semana passada, pacientes sem um dos medicamentos, o AZT, em razão de atraso na entrega de matéria-prima por um fabricante indiano, segundo o Ministério da Saúde. Chegaram ao Brasil, importados da Argentina: 2 milhões de cápsulas de AZT (Zidovudina), 1 milhão de cápsulas de Lamivudina (3TC) e 800 mil cápsulas de Indinavir. A falta de medicamentos preocupa o governo federal, pois reforça a tese de que existem poucos fornecedores no Brasil. A Organização Mundial de Saúde (OMS) tem como meta garantir o acesso a medicamentos de 3 milhões de portadores do vírus da Aids no mundo. Hoje, dos 700 mil soropositivos que têm acesso ao tratamento, 150 mil estão no Brasil.