Cidades
MST invade Incra e pede sa�da de toda a diretoria em Alagoas
FÁTIMA ALMEIDA Cerca de 500 trabalhadores rurais ligados ao Movimento Sem-Terra (MST) ocuparam ontem a sede do Incra, na Praça Sinimbu, no Centro de Maceió. Eles chegaram de 54 acampamentos para exigir, entre outras coisas, a destituição da diretoria do Incra, comandado em Alagoas pelo superintendente Gino César. A ocupação ocorreu logo cedo. Quando os funcionários do órgão chegaram para trabalhar, foram impedidos de entrar. Na frente, faixas com frases do tipo: ?Lula, tire os traidores do Incra?. Acostumados com o ambiente, os sem-terra se espalharam com suas mochilas e colchonetes pelos corredores e salas abertas, improvisando dormitórios para descansar da viagem. Na sala de espera, disputava-se espaço em frente à televisão. As tomadas foram ocupadas com carregadores de celular, e as escadarias se transformaram em brinquedo de crianças. Na área aberta, no fundo do prédio, foi improvisada uma grande cozinha. Quem não encontrou espaço, se arrumou na praça. ?Estamos representando 5.700 acampados, de Delmiro Gouveia a Maragogi, e deve chegar mais gente, inclusive de outros movimentos. Vamos ficar aqui até que seja exonerada essa diretoria, que tem atrapalhado o processo de reforma agrária. Queremos a presença de representantes nacionais do órgão para apresentar nossa pauta de reivindicações?, avisou José Carlos Silva, da coordenação estadual do MST. A pauta pede, ainda, a liberação de um sem-terra identificado como Ataíde, preso na última quinta-feira, em Delmiro Gouveia, segundo os líderes do movimento ?por motivação política?. Pede o assentamento das 150 famílias que desde 1999 ocupam a Fazenda Cavalinho, em São Brás, e o cumprimento de uma pauta apresentada em novembro do ano passado, que pede estrutura e manutenção para os acampamentos, infra-estrutura para os assentamentos, incluindo água, energia elétrica, construção de estradas, irrigação e convênios; além da apuração e punição dos atos de violência cometidos contra sem-terra. Os líderes do movimento acusam a diretoria do Incra-AL de ?falta de habilidade e incompetência? para lidar com a questão da reforma agrária. /// Para Gino, mobilização é ato político O superintendente do Incra em Alagoas, Gino César Menezes, disse que a mobilização é ?um ato político que tem ligação com o ex-superintendente do órgão, Mário Agra?. ?Eu já sabia que haveria essa ocupação. Ela foi discutida numa reunião com o ex-superintendente e a informação vazou?, afirmou ele. Por orientação da presidência nacional do Incra, o superintendente anunciou que vai pedir na Justiça a reintegração de posse do prédio do órgão. Gino César considera a movimentação ?estranha?, num momento em que vários títulos de imissão de posse estão sendo liberados, inclusive com crédito na conta de mais de 700 famílias. ?Esta é uma semana importantíssima para a reforma agrária em Alagoas. Eu deveria estar viajando para o Sertão, onde entregaria 290 títulos em Piranhas, Olho D?Água do Casado e outros municípios. Tive que desmarcar com o cartório, porque não pude sair de Maceió em função dessa mobilização, para a qual não vejo motivo?, disse ele. Segundo Gino, a ocupação do Incra, neste momento, está ?na contramão? do que está sendo feito em Alagoas. ?Além dessas 290 famílias do Sertão, temos créditos liberados para 260 em Maragogi e 260 em Novo Lino. Isso significa mais de 700 assentamentos nos dois primeiros meses do ano, e o cumprimento de cerca de 25% da meta para 2005. Para se ter uma idéia, em 2003 foram assentadas 70 famílias, e em 2004 tivemos 850 durante o ano inteiro?, concluiu. Ele disse, ainda, que, por causa da aquisição de áreas reclamadas para a reforma agrária em Alagoas, o Incra de Alagoas poderá atingir no primeiro semestre a meta de assentamento de 3 mil famílias, estabelecida pela direção nacional do instituto para todo o ano de 2005. ?Além dos assentamentos, já temos garantidos R$ 4 milhões para obras de infra-estrutura?, acrescentou.