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Prefeitura ouve guias sobre boicote a Macei�

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FERNANDO COELHO A Secretaria Municipal de Promoção do Turismo (Seturma) realiza hoje, às 20 horas, no Hotel Ouro Branco, na Pajuçara, uma reunião com os guias de turismo e o sindicato da categoria. Em pauta, as denúncias de que profissionais do setor estão denegrindo a imagem de Maceió e excluindo pontos tradicionais da cidade do roteiro de pacotes turísticos. O fato foi denunciado na edição da GAZETA do último domingo (27), por meio de um relato feito por um turista, que veio à capital durante a semana de carnaval, e reforçou as suspeitas sobre a falta de ética de guias e operadoras de turismo. O visitante narra um discurso de apresentação da cidade, no mínimo tendencioso, feito por um guia turístico durante o percurso do aeroporto para o hotel. Segundo o turista, o guia sugeriu a falta de opções noturnas na cidade e motivou os visitantes apenas para os passeios oferecidos nos pacotes opcionais, que levam a destinos fora da capital, ao dizer: ?Maceió não tem noite, é terra de dormir cedo e acordar cedo?. Coincidência ou não, é desses pacotes que os guias tiram as maiores comissões. Na suposta tentativa de induzir o visitante a evitar consagrados pratos da culinária local, o guia insinuou: ?A comida é rica em leite de coco, mas, cuidado ao comer sururu, pois os homens viram reis (não saem do trono) e as mulheres viram rosas (não saem do vaso)?. O Sindicato dos Guias do Estado de Alagoas diz estar apurando as denúncias. ?Isso é ruim não só para o turismo, mas para todo o Estado?, observa Ana Menezes, vice-presidente do sindicato. Ela lembra que ?o guia não leva um grupo para determinado passeio porque ele quer. Existe todo um aparato por trás do pacote?. Por outro lado, o Sindicato das Empresas de Turismo de Alagoas (Sindetur) afirma que ?os agentes não são obrigados a vender os pacotes. E mesmo assim, não se pode vender um destino ?queimando? outro?, disse Carlos Palmeira, presidente do Sindetur. /// Secretário quer capacitar Segundo o secretário municipal de Turismo, Carlos Gatto, durante a reunião de hoje serão debatidas ações que impeçam o boicote realizado pelos ?maus profissionais? e meios para apurar as denúncias. A princípio, a Seturma sinaliza com a realização de cursos de capacitação, em parceria com o Senac, dirigidos aos guias, além de propor um sistema de fiscalização mais eficiente. Mesmo não sendo convidado para o encontro, o Sindetur diz sempre informar o Sindicato dos Guias ao receber denúncias por parte dos turistas. ?Muitas vezes, o turista sai da cidade insatisfeito e não sabemos por quê. Minha sugestão é para que o discurso dos guias seja normatizado e preestabelecido. Temos conhecimento de outros casos, alguns mais antigos, mas não podemos generalizar, o que seria uma injustiça. Às vezes, o guia quer apenas brincar, mas é mal interpretado?, argumenta Carlos Palmeira. De acordo com a entidade, as atividades dos agentes de turismo são pautadas ?com responsabilidade e respeito ao turista, pois entendemos que só assim garantiremos nossa sobrevivência e a média de 400 empregos diretos que geramos?. O Sindetur reconhece que ?todas as cidades têm seus problemas? e afirma que ?desconhece e repudia veementemente as razões que levam determinadas pessoas a denegrir e a ridicularizar a imagem de Maceió e seu povo?. Carlos Palmeira explica, ainda, que os guias são profissionais autônomos e que, mesmo as agências selecionando aqueles com cursos e qualificação, é difícil controlar certos discursos tendenciosos no contato com os visitantes. ?Embora rigorosa, nossa atuação se limita a excluir esses maus profissionais das nossas empresas, mas muitas vezes eles permanecem no mercado. Eu garanto que, no que for responsabilidade dos agentes de viagem e das agências, nós vamos atuar?, salienta. /// Piscina natural em pauta Na reunião de hoje, entre a Seturma e os guias de turismo, a exclusão do passeio à piscina natural da Pajuçara dos pacotes turísticos terá destaque especial. A queixa atingiu o secretário municipal de Turismo, Carlos Gatto, que promete agir com mais rigor diante do caso. Na semana passada, Gatto insinuou à GAZETA que haveria ?exagero? nas reclamações dos jangadeiros ? alegando, ainda, a possibilidade de danos ao meio ambiente se houvesse superlotação na piscina natural. O problema é exatamente o contrário: a falta de visitantes porque o passeio é boicotado pelos guias. ?As piscinas naturais são o cartão-postal da cidade?, disse Gatto ontem. ?Cerca de 100 famílias sobrevivem desse passeio. O guia deve entender que quando boicota este passeio, a cidade perde e ele também, pois os turistas repudiam esse comportamento, tanto que denunciam na impressa e na própria Seturma?, disse Gatto. Segundo a Seturma, no último domingo a secretária-adjunta de Turismo, Cláudia Pessoa, fez o passeio às piscinas naturais e constatou que os turistas presentes estavam sem guia e só souberam do passeio por indicação de amigos. ?A Seturma já tem material de divulgação das piscinas naturais nos hotéis. Mas também vai realizar um trabalho entre os guias de turismo, com o apoio do sindicato, para que não boicotem os passeios às piscinas naturais, porque os turistas gostam, sempre repetem. Precisamos valorizar a nossa cidade?, diz Cláudia. Atualmente, 126 jangadas, com lotação máxima de seis passageiros, oferecem o transporte ao custo de R$ 13,00 por pessoa. Segundo a Associação dos Jangadeiros, o problema com os guias começou há cerca de quatro anos, quando constatou-se a queda no número de passeios na alta temporada. Se há oito anos o número chegava a 9 mil turistas em um único mês, nesta temporada, nos meses de dezembro e janeiro, foram registrados apenas 5.500 embarques a um dos destinos turísticos mais tradicionais da capital. (FC)

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