Cidades
Conselheiros tutelares lembram assassinato
FÁBIA ASSUMPÇÃO Conselheiros tutelares de Alagoas lembraram ontem os 30 dias do assassinato do colega Benildo Tenório Lisboa, de 55 anos, ocorrido no dia 28 de janeiro, em São José da Tapera, com uma missa na Igreja dos Martírios. Familiares e conselheiros portavam cartazes cobrando uma rápida elucidação do crime e punição para os culpados. Na bandeira de Alagoas, uma faixa preta para simbolizar o luto dos 90 Conselhos Tutelares existentes no Estado, responsáveis pelo cumprimento integral do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Depois da missa, foi realizado um ato no Cemitério de São José, no Trapiche da Barra, onde Benildo foi enterrado. O ex-conselheiro tutelar de São José da Tapera, Aldir Robério, o Bero, foi interrogado na última terça-feira pelo delegado do município, Maurício Henrique Duarte. Bero é apontado como o principal suspeito do assassinato de Benildo. Medo Segundo a irmã do conselheiro assassinado, Maria Betânia Lisboa, o clima é de medo entre os familiares de Benildo, que deixaram a cidade enquanto os assassinos não são presos. Ela acredita que a morte de seu irmão tem relação com suas atividades no Conselho Tutelar de São José da Tapera. Segundo ela, as principais suspeitas recaem sobre Bero porque ele teria sido expulso do Conselho por Benildo. Além de Bero, também são suspeitos pelo crime dois filhos de ex-conselheiros tutelares do município, cujos nomes não foram revelados. Policial militar reformado, Benildo fazia parte do Conselho Tutelar havia seis anos. Ele foi morto com dois tiros, pouco depois de deixar a sede do conselho, numa estrada no caminho de casa, no povoado Cabocla. Ameaças de morte O presidente do Fórum Estadual dos Conselhos Tutelares, Edmilson de Souza, disse que pelo menos seis conselheiros tutelares estão sob ameaça de morte, nos municípios de Jundiá, Maragogi, São Miguel dos Campos, Roteiro e Penedo. Uma conselheira ameaçada, de Penedo, decidiu deixar o Estado. Segundo Edmilson, o governo do Estado, a Secretaria Nacional de Direitos Humanos e a Secretaria Estadual de Direitos Humanos e Ressocialização já foram informados sobre a insegurança e as ameaças sofridas pelos conselheiros tutelares no Estado. /// Fundação nega denúncias de tutelares Os conselheiros tutelares aproveitaram o ato em memória de Benildo Lisboa para voltar a denunciar o abandono dos conselhos em Maceió. O Conselho Tutelar das Regiões 1 e 2 ? que abrange a área entre os bairros de Ipioca, Centro e Pontal da Barra ? fechou as portas na segunda-feira por falta de estrutura de funcionamento. De acordo como seu presidente, Vandilson Barreto, desde o início do ano a Fundação de Apoio à Criança e ao Adolescente (Funacriad) não está repassando recursos para os quatro conselhos de Maceió. ?Fechamos o conselho porque não tínhamos estrutura para continuar funcionando, pois cortaram o telefone, energia e até o transporte?. Segundo Vandilson, a Funacriad tinha um orçamento de custeio de R$ 26 mil por mês para os quatro conselhos tutelares. Em janeiro, esse valor foi reduzido para R$ 20 mil. ?E tivemos a informação agora que a Secretaria de Finanças reduziu o valor para R$ 8 mil?. Vandilson afirma que só com gastos com aluguel, telefone, transporte e compra de material de expediente, se gasta entre R$ 3 mil e R$ 4 mil. O Conselho das Regiões 1 e 2 funciona num prédio alugado na Rua 7 de Setembro, no Centro. Por dia, são encaminhadas cerca de 10 crianças por dia. Quando elas são do interior, cabe ao conselho bancar a passagem para que elas voltem para casa. ?Só que estamos sem condições de dar assistência a essas crianças por falta de recursos?. Carro e celular O presidente da Funacriad, padre Tito Régis, disse ontem que não é verdade que os quatros conselhos tutelares de Maceió estejam sem estrutura para funcionar. ?Todos têm sede própria, funcionários à disposição e um carro para cada conselho, além de telefone celular pago pela prefeitura e um salário de R$ 1 mil para cada conselheiro?. Ele acrescentou que pretende investir na capacitação desses conselheiros e corrigir irregularidades que havia nas eleições deles, pondo fim aos apadrinhamentos políticos. (FAS)